
O glaucoma é uma doença apenas dos olhos? Entenda como a poluição, o coração e o estilo de vida podem influenciar o risco
Novos estudos mostram que fatores ambientais e cardiovasculares também podem afetar a saúde do nervo óptico
Durante muito tempo, o glaucoma foi considerado uma doença causada exclusivamente pelo aumento da pressão dentro dos olhos. Hoje, essa visão mudou.
Embora a pressão intraocular continue sendo o principal fator de risco modificável, pesquisas recentes mostram que a saúde do nervo óptico também depende da circulação sanguínea, da saúde cardiovascular e até da qualidade do ar que respiramos.
Essa nova compreensão ajuda a explicar por que algumas pessoas desenvolvem glaucoma mesmo com pressão ocular normal, enquanto outras convivem com pressão elevada durante anos sem apresentar lesões no nervo óptico.
O que é o glaucoma?
O glaucoma é uma doença que provoca a perda progressiva das fibras do nervo óptico, responsável por transmitir as informações visuais dos olhos para o cérebro. Sem tratamento adequado, o dano é irreversível e pode levar à perda permanente da visão.
A boa notícia é que, quando diagnosticado precocemente, o glaucoma pode ser controlado, preservando a visão na maioria dos pacientes.
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A pressão ocular continua sendo importante, mas não é a única explicação
O aumento da pressão intraocular continua sendo o principal fator de risco para o desenvolvimento e para a progressão do glaucoma. No entanto, os especialistas já sabem que essa pressão não explica todos os casos.
Isso fica evidente em duas situações muito comuns:
- pessoas que apresentam pressão ocular elevada e nunca desenvolvem glaucoma;
- pacientes com glaucoma de pressão normal, que sofrem lesão do nervo óptico mesmo com a pressão dentro dos valores considerados normais.
Essas diferenças levaram os pesquisadores a investigar outros fatores capazes de comprometer a saúde do nervo óptico.
Entenda melhor o que é pressão intraocular
https://mariabeatrizguerios.com.br/2023/05/04/pressao-intraocular-2/
O papel da circulação sanguínea
O nervo óptico depende de um fluxo constante de sangue para receber oxigênio e nutrientes. Quando essa circulação é prejudicada, suas células ficam mais vulneráveis ao dano.
Por isso, condições como:
- hipertensão arterial;
- hipotensão, principalmente durante a noite;
- diabetes;
- aterosclerose;
- doenças cardiovasculares;
podem influenciar o desenvolvimento ou a progressão do glaucoma em alguns pacientes.
Atualmente, muitos pesquisadores consideram o glaucoma uma doença multifatorial, em que fatores mecânicos (pressão ocular) e fatores vasculares atuam em conjunto.
A poluição pode aumentar o risco de glaucoma?
Estudos publicados nos últimos anos sugerem que sim.
Pesquisas populacionais demonstraram que pessoas expostas durante muitos anos a maiores concentrações de poluentes atmosféricos, como material particulado fino (PM2.5) e dióxido de nitrogênio (NO₂), apresentaram maior risco de desenvolver glaucoma.
Os pesquisadores acreditam que esses poluentes possam favorecer:
- inflamação crônica;
- estresse oxidativo;
- alterações na circulação sanguínea;
- lesão das células do nervo óptico.
Embora esses estudos não comprovem uma relação direta de causa e efeito, as evidências são cada vez mais consistentes e reforçam a importância da qualidade do ar para a saúde ocular.
Como a poluição pode afetar os olhos?
Quando inaladas, partículas muito pequenas conseguem desencadear uma resposta inflamatória em todo o organismo. Esse processo pode provocar:
✔ aumento do estresse oxidativo;
✔ disfunção dos vasos sanguíneos;
✔ redução da oxigenação dos tecidos;
✔ maior vulnerabilidade das células da retina e do nervo óptico.
Esses mecanismos também são conhecidos por aumentar o risco de doenças cardiovasculares, o que fortalece a hipótese de uma ligação entre poluição e glaucoma.
Outros fatores ambientais em estudo
Além da poluição atmosférica, pesquisadores investigam o impacto de outros fatores ambientais sobre a saúde ocular, como:
- temperaturas extremas;
- ondas de calor;
- fumaça de queimadas;
- urbanização intensa;
- menor contato com áreas verdes.
Ainda são necessários novos estudos, mas esses fatores vêm sendo considerados potenciais influenciadores da circulação do nervo óptico e da saúde ocular.
É possível reduzir esse risco?
Não é possível controlar totalmente a exposição ambiental, mas algumas atitudes ajudam a proteger a saúde ocular e cardiovascular:
- controlar pressão arterial, diabetes e colesterol;
- praticar atividade física regularmente;
- evitar o tabagismo;
- manter alimentação rica em frutas, verduras e alimentos antioxidantes;
- reduzir a exposição à poluição sempre que possível, especialmente em dias com pior qualidade do ar;
- realizar consultas oftalmológicas periódicas, principalmente após os 40 anos ou quando há histórico familiar de glaucoma.
O glaucoma deve ser visto como uma doença sistêmica?
Cada vez mais especialistas acreditam que sim. Hoje, o glaucoma é compreendido como uma doença complexa, influenciada por fatores genéticos, pressão ocular, circulação sanguínea, metabolismo e condições ambientais.
Essa visão mais ampla permite um acompanhamento mais individualizado e reforça a importância dos cuidados com a saúde como um todo — e não apenas com os olhos.
Perguntas frequentes – FAQ
A poluição causa glaucoma?
Não há comprovação de que a poluição cause glaucoma diretamente. No entanto, estudos recentes mostram que a exposição prolongada a determinados poluentes está associada a um maior risco de desenvolver a doença.
Quem mora em grandes cidades tem mais risco?
Pesquisas sugerem que pessoas expostas por muitos anos a altos níveis de poluição atmosférica podem apresentar maior risco de glaucoma. Ainda assim, fatores como idade, genética e pressão intraocular continuam sendo fundamentais.
O coração influencia a saúde dos olhos?
Sim. O nervo óptico depende de uma boa circulação sanguínea. Problemas cardiovasculares podem comprometer esse fluxo e aumentar a vulnerabilidade do nervo óptico.
Vale à pena cuidar da saúde cardiovascular para proteger a visão?
Sim. Controlar hipertensão, diabetes, colesterol e manter hábitos saudáveis beneficia todo o organismo, incluindo os olhos.
O que dizem os estudos científicos?
Nos últimos anos, diversos estudos vêm demonstrando que o glaucoma é uma doença multifatorial, influenciada não apenas pela pressão intraocular, mas também por fatores vasculares, metabólicos e ambientais.
As evidências científicas mais recentes indicam que:
✔ A exposição prolongada à poluição do ar está associada a um maior risco de glaucoma. Estudos populacionais observaram que pessoas expostas por muitos anos a níveis elevados de material particulado fino (PM2.5), dióxido de nitrogênio (NO₂), óxidos de nitrogênio e ozônio apresentaram maior prevalência da doença.
✔ A circulação sanguínea do nervo óptico é fundamental para sua saúde. Alterações cardiovasculares, como hipertensão, hipotensão noturna e aterosclerose, podem comprometer o fornecimento de oxigênio e nutrientes às fibras nervosas, aumentando sua vulnerabilidade.
✔ A inflamação crônica e o estresse oxidativo parecem desempenhar um papel importante na degeneração do nervo óptico. Esses mecanismos também estão relacionados aos efeitos da poluição atmosférica e de outras doenças sistêmicas.
✔ Ainda não existe comprovação de que a poluição cause glaucoma diretamente. Os estudos atuais demonstram uma associação consistente entre maior exposição a poluentes e maior risco da doença, mas novas pesquisas ainda são necessárias para confirmar uma relação de causa e efeito.
Observação: Confira os estudos nas referências bibliográficas no rodapé desse artigo.
O que isso significa na prática?
Essas descobertas reforçam uma mudança importante na forma como o glaucoma é compreendido atualmente. Além do controle da pressão intraocular, cada vez mais especialistas defendem uma abordagem global da saúde do paciente, incluindo o controle dos fatores cardiovasculares, a adoção de hábitos de vida saudáveis e a redução da exposição aos fatores ambientais sempre que possível.
Embora o tratamento continue sendo baseado principalmente na redução da pressão ocular, compreender esses fatores adicionais pode contribuir para estratégias mais completas de prevenção e acompanhamento dos pacientes.
Conclusão
Os avanços da ciência mostram que o glaucoma vai muito além da pressão ocular. A saúde do nervo óptico é influenciada por uma combinação de fatores, incluindo genética, circulação sanguínea, doenças cardiovasculares e condições ambientais, como a poluição do ar.
Embora ainda sejam necessárias novas pesquisas para esclarecer completamente essas relações, cuidar da saúde de forma integrada e realizar acompanhamento oftalmológico regular continua sendo a melhor estratégia para preservar a visão.
Sobre a Dra. Maria Beatriz Guerios – CRM 102.665 / RQE 96.065
A Dra. Maria Beatriz Guerios é médica oftalmologista e especialista em glaucoma, dedicando-se ao diagnóstico, acompanhamento e tratamento da doença. Seu trabalho é focado na preservação da visão por meio de uma abordagem individualizada e baseada nas evidências científicas mais atuais.
Formada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), conta com especialização pela UNIFESP. Possui Título de Especialista pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e pela Associação Médica Brasileira (AMB).
O consultório fica na Vila Nova Conceição, zona sul da cidade de São Paulo. O atendimento conta com a experiência em Glaucoma da Dra. Maria Beatriz, além de exames de ponta e cirurgia a laser para o glaucoma.
Para agendar a sua consulta, por favor mande mensagem no whatsapp ou ligue para:
(11) 97859 1080
Referências científicas
