
Aplicação de colírios para glaucoma – Tudo que você precisa saber
A aplicação de colírios para glaucoma é crucial para o controle da doença, sendo o tratamento mais comum e acessível para a maioria dos pacientes. Por outro lado, o uso diário desses colírios e os efeitos na hora de aplicá-los, como a ardência, podem levar ao abandono do tratamento.
Por isso, hoje vamos entrevistar a oftalmologista Dra. Maria Beatriz Guerios, especialista em glaucoma, para orientar os pacientes e dar dicas que possam amenizar os desconfortos durante a aplicação dos colírios para glaucoma.
Controle da pressão intraocular é principal objetivo do tratamento do glaucoma
“Primeiramente, é importante entender que glaucoma é nome dado a uma série de condições que causam danos irreversíveis no nervo óptico. Na maioria dos casos, o principal fator de risco é o aumento da pressão intraocular (PIO). Sendo assim, o objetivo do tratamento é reduzir e controlar a PIO, para prevenir lesões no nervo óptico”, explica Dra. Maria Beatriz.
Atualmente, o tratamento mais acessível para a maioria da população é o uso de colírios para controlar a pressão intraocular. “Por outro lado, o uso diário dos colírios traz certos desconfortos e dificuldades, que são verdadeiros empecilhos na adesão ao tratamento. Portanto, muitos pacientes acabam abandonando o tratamento e isso pode levar à progressão da perda visual”, alerta a especialista.
Em geral, é preciso usar vários colírios, várias vezes ao dia. Além disso, grande parte das pessoas com glaucoma é idosa, o que também dificulta o uso correto dos medicamentos.
Aplicação de colírios para glaucoma – Quais os cuidados?
A aplicação de colírios para o glaucoma demanda certos cuidados. Desse modo, é importante entender quais são eles.
Como evitar contaminação
- Para evitar contaminação na hora de aplicar o colírio, é importante desinfetar as mãos, já que é preciso manipular as pálpebras para pingar o medicamento.
- Outro cuidado é colocar um lenço ou guardanapo para apoiar a tampa do frasco em superfícies, como mesas, por exemplo.
- Não encoste a ponta do colírio na superfície ocular, dedos ou cílios.
- Use um pedaço de papel com álcool e limpe a ponta do frasco, antes de guardar o colírio. Guarde o produto em local seco e longe do calor.
Aplicação de colírios para glaucoma – Quais as maneiras de fazer isso?
A aplicação de colírios para glaucoma pode ser feita de duas maneiras. Sendo assim, o paciente pode optar por aquela que traz menos desconforto.
Aplicando o colírio sentado ou em pé: Incline a cabeça para trás, puxe a pálpebra inferior delicadamente com a mão dominante e com a outra tente formar um “bolsinho” na pálpebra. Em seguida, pingue o colírio.
Aplicando o colírio deitado: Essa posição é boa para pessoas com problemas na região cervical ou para quem tem labirintite ou sente tontura de olhos fechados. Após deitar-se, basta seguir as mesmas instruções acima para instilar o colírio.
O que fazer após a aplicação de colírios para glaucoma
Após instilar o medicamento, feche os olhos e mantenha-os assim por cerca de 2 minutos. Isso é muito importante para a eficácia do colírio. Depois que abrir os olhos, evite piscar, pois isso também pode interferir na absorção do produto.
Caso precise pingar mais de um colírio por vez, é crucial esperar cerca de 5 minutos entre as aplicações. Quando você pinga sem dar esse intervalo, um colírio pode anular o efeito do outro.
Como lidar com a ardência após a aplicação de colírios para glaucoma
“Acima de tudo, um dos piores efeitos após a aplicação de colírios para glaucoma é a ardência. Sendo assim, essa é uma queixa constante dos pacientes e pode ser um dos motivos pelos quais muitos abandonam o uso desses medicamentos. Contudo, algumas pessoas possuem mais tolerância à ardência e outras menos”, comenta Dra. Maria Beatriz.
“Agora, a ardência se deve à diferença de pH. O nosso filme lacrimal tem um pH de cerca de 7,2 a 7,4 (levemente alcalino). Entretanto, muitos colírios têm um pH mais ácido ou mais básico. Dessa maneira, ao usarmos um colírio podemos ter a sensação de ardência e queimação, até que o pH do olho se adapte ao produto”, aponta a oftalmologista.
Outra explicação para a ardência ao usar colírios é a presença de certas substâncias, como o cloreto de benzalcônio (BAK), produto conservante, para aumentar a durabilidade do medicamento. Ademais, alguns colírios que são mais concentrados em relação ao filme lacrimal também podem gerar mais desconforto na hora da aplicação.
“Infelizmente, mais de 60% dos pacientes com glaucoma que usam colírios desenvolvem a síndrome do olho seco. A principal causa é justamente a presença de certos excipientes nas fórmulas, como os conservantes. Como resultado, pacientes com olho seco podem sentir de forma mais intensa os efeitos de queimação e ardência na hora de aplicar os colírios”, ressalta Dra. Maria Beatriz.
Por fim, a temperatura do produto também pode aumentar a sensação de ardência, especialmente quando é preciso manter o colírio sob refrigeração.
“Infelizmente, não há muito o que se possa fazer para evitar a ardência durante a aplicação de colírios para glaucoma. O ideal é sempre manter a superfície ocular bem nutrida e lubrificada. Como muitos pacientes com glaucoma apresentam a síndrome do olho seco, é preciso tratar a condição. Um dos recursos é o uso de colírios lubrificantes ou de lágrimas artificiais. De qualquer maneira, é sempre importante seguir as orientações do oftalmologista”, finaliza Dra. Maria Beatriz.
Dicas para reduzir a ardência dos colírios
Aqueça levemente o frasco
Quando o colírio precisa de refrigeração, retire-o da geladeira um pouco antes da aplicação. Segure o frasco por cerca de 1 a 2 minutos, para que o produto perca a temperatura, o que ajuda a reduzir o desconforto na hora de aplicar.
Lubrifique os olhos antes
Peça ao oftalmologista a prescrição de um colírio lubrificante sem conservantes (lágrima artificial). Use antes do colírio para glaucoma. Isso pode ajudar a criar uma camada de proteção e diminuir a ardência na hora de aplicar o medicamento. Mas, lembre-se da regra de esperar por volta de 5 minutos entre um colírio e outro.
Feche os olhos suavemente
Após pingar o colírio, feche os olhos com delicadeza, sem apertá-lo, por cerca de 2 minutos. Ao fazer isso, você evitar que o colírio escorra pelo canal lacrimal, além de reduzir o contato direto irritante.
Pressione o canto interno do olho (técnica de oclusão nasolacrimal)
Com o dedo, pressione levemente o canto do olho, perto do nariz, logo após pingar o colírio. Essa técnica diminui a drenagem do produto para a garganta, o que previne sentir aquele gosto amargo do produto.
Respeite o intervalo entre diferentes colírios
Lembre-se de respeitar o intervalo entre os colírios, aguardando de 5 a 10 minutos entre eles. Assim, um não “lava” o outro e diminui a chance de irritação.
Prefira colírios sem conservantes
Versões sem cloreto de benzalcônio (BAK) costumam causar menos ardor, especialmente em tratamentos de longo prazo, como no glaucoma. Converse com seu oftalmologista sobre opções de tratamento para o glaucoma, como as cirurgias a laser.
Leia mais sobre as cirurgias para Glaucoma aqui.
Dra. Maria Beatriz Guerios é Oftalmologista Geral e especialista em Glaucoma.
O consultório fica na cidade de São Paulo.
Para mais informações, ligue para (11) 97859- 1080
Matéria produzida pela jornalista Leda Maria Sangiorgio – MTB 30.714
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