Problemas oculares na menopausa – O que você precisa saber

Problemas oculares na menopausa – O que você precisa saber

Os problemas oculares na menopausa são comuns. Contudo, nem todos estão associados a essa fase da vida da mulher. Por outro lado, as alterações hormonais do climatério podem aumentar o risco de certas condições e doenças oftalmológicas.

Para falar mais sobre os problemas oculares na menopausa, hoje vamos entrevistar a oftalmologista geral, Dra. Maria Beatriz Guerios, especialista em Glaucoma em São Paulo.

Como a menopausa afeta a visão

“A menopausa se caracteriza pelo fim do ciclo reprodutivo da mulher. Em geral, os primeiros sinais ocorrem no climatério, fase que antecede a última menstruação. Desse modo, ocorrem diversas alterações hormonais, especialmente ligadas aos hormônios sexuais femininos, como o estrogênio e a progesterona”, comenta Dra. Maria Beatriz.

O corpo da mulher durante a pré-menopausa, menopausa e pós-menopausa passa por inúmeras mudanças. A falta dos hormônios sexuais pode causar os famosos calores, ressecamento da pele e das mucosas em geral, problemas de memória, alterações no peso, entre outras manifestações.

“Em relação ao sistema visual, temos algumas condições que têm relação com a menopausa e outras com o próprio processo natural do envelhecimento”, comenta Dra. Maria Beatriz.

Problemas oculares na menopausa atingem a superfície ocular

A blefarite é uma inflamação crônica que atinge as pálpebras. Em geral, a blefarite costuma ter relação com olho seco e meibomite.

“Sendo assim, todas essas doenças estão associadas a alterações nas glândulas sebáceas das pálpebras, chamadas de glândulas de Meibômio. Essas estruturas produzem e secretam a parte gordurosa da lágrima, chamada meibum, essencial para manter a lubrificação e a nutrição da superfície dos olhos”, explica a oftalmologista.

Contudo, as alterações hormonais da menopausa alteram a produção do meibum pelas glândulas sebáceas. Há duas situações que podem ocorrer, como mudanças na quantidade ou na qualidade do meibum.

“Consequentemente, o filme lacrimal deixa de cumprir seu papel de forma efetiva. O resultado é o ressecamento da superfície ocular, que podem culminar no desenvolvimento da síndrome do olho seco”, acrescenta Dra. Maria Beatriz.

Estima-se que a prevalência do olho seco em mulheres com mais de 50 anos é o dobro daquela encontrada nos homens.

Outra consequência é o desenvolvimento da blefarite, que costuma acontecer quando há uma obstrução dos ductos das glândulas sebáceas. De acordo com um estudo, publicado no periódico Cureous, do grupo Nature, o risco de desenvolver a blefarite e outras doenças da superfície ocular, como o terçol, aumenta de forma significativa na pós-menopausa.

“Acima de tudo, esse estudo conseguir mostrar que os hormônios sexuais, como o estrogênio e a testosterona, possuem um efeito anti-inflamatório nas glândulas meibomianas, o que diminui a incidência de doenças da superfície ocular em mulheres que ainda não entraram na menopausa”, comenta a especialista.

Excesso de hormônios também é prejudicial

Adicionalmente às mudanças orgânicas da menopausa, precisamos levar em consideração que muitas mulheres realizam a chamada terapia de reposição hormonal.

“Entretanto, o excesso de hormônios também pode aumentar o risco de desenvolver problemas como a blefarite, terçol e calázio de repetição. A razão é que há um aumento considerável na produção do sebo, especialmente durante o uso da testosterona”, alerta Dra. Maria Beatriz.

Problemas oculares na menopausa e Glaucoma: O que você precisa saber

O glaucoma é o nome dado a uma série de condições que causam danos irreversíveis no nervo óptico. Com isso, sem tratamento, o glaucoma pode levar à perda definitiva da visão. A idade é um importante fator de risco, ou seja, o envelhecimento tem relação com um risco maior de ter um glaucoma.

Por outro lado, para além da idade, ao longo dos últimos anos alguns estudos demonstraram que a menopausa precoce leva ao envelhecimento prematuro do nervo óptico. Sendo assim, há uma maior suscetibilidade de ocorrerem danos nas células nervosas dos olhos. Como resultado, a mulher pode desenvolver um glaucoma.

Catarata é um dos problemas oculares na menopausa?

 Acima de tudo, a catarata senil tem relação com o processo natural do envelhecimento. Portanto, pode atingir homens e mulheres, especialmente após os 60 anos de idade. Apesar disso, estudos apontam que mulheres na menopausa têm um risco maior de desenvolver a catarata de forma mais precoce que os homens.

De acordo com as evidências cientificas, a camada externa do cristalino tem receptores de estrogênio, cuja função é protegê-lo de proteínas indutoras da catarata. Como na menopausa a produção do estrogênio cai, o risco de alterações no cristalino aumenta.

Vista cansada é um dos problemas de visão na menopausa mais prevalentes

Certamente você já presenciou uma pessoa com mais de 50 anos tentando ler uma mensagem no celular, distanciando o aparelho do rosto. Saiba que esse é o sinal mais característico da presbiopia, conhecida popularmente como vista cansada. Em contrapartida, a presbiopia não tem uma relação direta com a menopausa e atinge mulheres e homens, especialmente após a quinta década de vida.

Problemas oculares na menopausa – Como prevenir e tratar

Independentemente da menopausa, os cuidados com a saúde ocular devem ser regulares. Em outras palavras, não se deve esperar chegar na menopausa para realizar exames oftalmológicos. Na verdade, a partir dos 40 anos, é crucial realizar um oftalmológico anual.

“A maioria das doenças oftalmológicas são tratáveis. Contudo, o tratamento precoce é imprescindível para prevenir a perda da visão, como no caso do glaucoma. Outros tratamentos podem melhorar a qualidade de vida, como a Luz Intensa Pulsada para blefarite. O uso de óculos para a presbiopia também é importante”, ressalta a oftalmologista.

“Em conclusão: os problemas de visão na menopausa são comuns, mas há tratamento que pode não só melhorar a acuidade visual, como também são importantes para a qualidade de vida da mulher nessa fase tão desafiadora”, finaliza Dra. Maria Beatriz.


Artigo com supervisão- Dra. Maria Beatriz Guerios – CRM 102.665 / RQE 96.065

A Dra. Maria Beatriz Guerios é médica oftalmologista e especialista em glaucoma, dedicando-se ao diagnóstico, acompanhamento e tratamento da doença. Seu trabalho é focado na preservação da visão por meio de uma abordagem individualizada e baseada nas evidências científicas mais atuais.

Formada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), conta com especialização pela UNIFESP. Possui Título de Especialista pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e pela Associação Médica Brasileira (AMB).

O consultório fica na Vila Nova Conceição, zona sul da cidade de São Paulo. O atendimento conta com a experiência em Glaucoma da Dra. Maria Beatriz, além de exames de ponta e cirurgia a laser para o glaucoma.

Para agendar a sua consulta, por favor mande mensagem no whatsapp ou ligue para:

(11) 97859 1080

Atualizado 14.09.2026


Fontes

Birgul R, Turan G. Comparison of Changes in Eye Findings of Premenopausal and Postmenopausal Women. Cureus. 2021 Apr 6;13(4):e14319. doi: 10.7759/cureus.14319. PMID: 33968529; PMCID: PMC8101510.

Zetterberg M. Age-related eye disease and gender. Maturitas. 2016 Jan;83:19-26. doi: 10.1016/j.maturitas.2015.10.005. Epub 2015 Oct 23. PMID: 26508081.

Gorimanipalli B, Khamar P, Sethu S, Shetty R. Hormones and dry eye disease. Indian J Ophthalmol. 2023 Apr;71(4):1276-1284. doi: 10.4103/IJO.IJO_2887_22. PMID: 37026259; PMCID: PMC10276676.

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