Descobri que tenho glaucoma e estou preocupado. O que devo fazer?

Descobri que tenho glaucoma e estou preocupado. O que devo fazer?

Descobri que tenho glaucoma, o que fazer? Realmente, receber o diagnóstico de glaucoma costuma trazer muitas dúvidas. Vou perder a visão? Vou precisar usar colírio para sempre? Posso continuar dirigindo? Existe cirurgia? O glaucoma tem cura?

Se você acabou de receber o diagnóstico de glaucoma, a primeira coisa é entender exatamente qual é o seu diagnóstico e em que estágio a sua doença se encontra.

Isso porque ter glaucoma não significa necessariamente que você irá perder a visão. O glaucoma é uma doença crônica e progressiva que pode causar danos irreversíveis ao nervo óptico, mas o objetivo do diagnóstico precoce, do tratamento e do acompanhamento adequado é justamente reduzir o risco de progressão da doença e preservar a visão ao longo da vida.

Por isso, depois do diagnóstico, existem alguns passos que você precisa seguir:

Entender qual tipo de glaucoma você tem

Glaucoma não é uma doença única. Existem diferentes tipos e mecanismos envolvidos. Entre eles estão o glaucoma primário de ângulo aberto, glaucoma de ângulo fechado, glaucoma de pressão normal, glaucomas secundários e outras formas da doença.

Essa diferenciação é importante porque o tipo de glaucoma, o aspecto do ângulo da câmara anterior, o estado do nervo óptico, o campo visual, a pressão intraocular e outros fatores ajudam o oftalmologista a estabelecer a estratégia de tratamento e acompanhamento.

Por isso, uma das primeiras perguntas que você deve fazer ao seu oftalmologista seria:

“Qual é exatamente o meu tipo de glaucoma?”

Pergunte ao médico em que estágio está o seu glaucoma

Depois de entender o tipo de glaucoma que você tem, você precisa compreender o quanto a doença já afetou o seu nervo óptico e visão.

O glaucoma pode estar em diferentes estágios. Para avaliar isso, o oftalmologista pode utilizar exames como campo visual, OCT, avaliação do nervo óptico, tonometria e gonioscopia, entre outros, de acordo com cada caso.

Essa informação é fundamental porque o tratamento não depende apenas do valor da pressão intraocular. Um paciente com glaucoma inicial pode ter necessidades muito diferentes das de outro que já apresenta perda importante do campo visual.

Quanto maior o dano já existente, maior pode ser a necessidade de estabelecer metas mais rigorosas para tentar evitar uma progressão que comprometa a qualidade de vida.

Questione o oftalmologista sobre o valor ideal da sua pressão intraocular

Esta talvez seja uma das informações mais importantes para quem tem glaucoma. Pressão-alvo é o nível de pressão intraocular que o oftalmologista considera adequado para reduzir o risco de progressão da doença naquele paciente.

E não existe um único número que seja adequado para todas as pessoas.

A pressão-alvo deve ser individualizada e pode considerar fatores como estágio do glaucoma, pressão intraocular antes do tratamento, idade, expectativa de vida, espessura da córnea, fatores de risco, condição do outro olho e, principalmente ao longo do acompanhamento, a velocidade de progressão da doença. Além disso, a pressão-alvo não é necessariamente definitiva.

Se os exames mostrarem que o glaucoma continua progredindo apesar de a pressão estar dentro da meta inicialmente estabelecida, essa meta pode precisar ser revista e o tratamento intensificado. As diretrizes atuais reforçam justamente essa necessidade de reavaliar a pressão-alvo durante o acompanhamento.

Portanto, você deve peguntar:

“Doutora, qual é a minha pressão-alvo?”

Você precisa entender qual é o objetivo do seu tratamento

Essa é outra mudança importante de perspectiva. O objetivo do tratamento do glaucoma não é simplesmente fazer a pressão intraocular atingir um determinado número. O verdadeiro objetivo é preservar a visão e a qualidade de vida durante toda a vida do paciente.

Atualmente, a redução da pressão intraocular continua sendo a principal estratégia comprovada para diminuir o risco de progressão do glaucoma. Dependendo do tipo e da gravidade da doença, isso pode envolver colírios, tratamentos a laser ou procedimentos cirúrgicos. Por isso, evite comparar o seu tratamento com o de outro paciente. Glaucoma exige tratamento individualizado.

Use os colírios corretamente

Parece simples, mas não é. Não basta ter o colírio em casa. É preciso utilizá-lo na frequência e nos horários prescritos pelo oftalmologista e saber aplicá-lo corretamente. Além disso, muitos pacientes podem precisar de mais de um colírio ao longo do dia.

A adesão ao tratamento é um dos grandes desafios no controle do glaucoma. Como muitas vezes a doença não provoca sintomas perceptíveis nas fases iniciais, algumas pessoas acabam esquecendo doses ou abandonando o tratamento quando acreditam que “está tudo bem”.

Mas ausência de sintomas não significa ausência de progressão.

As diretrizes da European Glaucoma Society destacam que o glaucoma é uma doença crônica que exige envolvimento contínuo do paciente com o tratamento e o acompanhamento. Educação, boa comunicação com o médico, simplificação do esquema terapêutico quando possível e até recursos como alarmes podem ajudar na adesão.

Se o colírio estivesse causando ardência, vermelhidão, alergia ou qualquer outro efeito adverso, fale com o seu oftalmologista em vez de simplesmente interromper o uso por conta própria.

Você precisa acompanhar o seu glaucoma muito além da pressão intraocular

Esse ponto é muito importante. Glaucoma não é sinônimo de pressão alta nos olhos.

Medir a pressão é fundamental, mas acompanhar o glaucoma significa observar também se existem mudanças estruturais no nervo óptico e na camada de fibras nervosas e alterações funcionais no campo visual.

Por isso, exames como OCT e campo visual são importantes no acompanhamento, conforme a indicação para cada paciente. O objetivo é responder a uma pergunta essencial:

“Meu glaucoma está estável ou está progredindo?”

As recomendações atuais consideram justamente pressão intraocular, campo visual, nervo óptico e exames de imagem para avaliar a evolução da doença.

Organize seus exames e faça um arquivo

Se existe uma recomendação prática muito importante, é esta: guarde seus exames. No glaucoma, comparar resultados ao longo do tempo pode ser tão importante quanto analisar um exame isoladamente. O médico precisa avaliar se houve mudança no campo visual, no nervo óptico ou nas imagens obtidas pelo OCT.

Com o acompanhamento longitudinal, torna-se possível estimar a velocidade de progressão da doença e, quando necessário, rever a estratégia terapêutica. Por isso, mantenha seus exames organizados e disponíveis para comparação nas consultas futuras.

Relate ao seu oftalmologista todos os medicamentos que você usa para outras doenças

Outro cuidado é informar ao oftalmologista sobre todos os medicamentos, colírios, suplementos e tratamentos que você faz, inclusive aqueles prescritos por outros especialistas.

O histórico clínico completo faz parte do acompanhamento do paciente com glaucoma e pode ser importante tanto para a escolha do tratamento quanto para identificar contraindicações, interações ou condições que exijam atenção especial.

Também é importante comunicar outros médicos que você tem glaucoma sempre que um novo medicamento for prescrito.

Pergunte ao seu oftalmologista que seus familiares precisam ser avaliados

Histórico familiar é um fator relevante em algumas formas de glaucoma, especialmente no glaucoma primário de ângulo aberto. Por isso, ao receber o diagnóstico, pergunte ao oftalmologista se pais, irmãos ou filhos devem realizar uma avaliação oftalmológica. O diagnóstico precoce é particularmente importante porque o glaucoma pode evoluir silenciosamente durante anos.

Não procure uma “cura milagrosa” na internet

Depois de um diagnóstico, é natural pesquisar. O problema começa quando suplementos, vitaminas, substâncias naturais ou tratamentos alternativos passam a substituir uma terapia cuja eficácia foi demonstrada.

Existem diversas linhas de pesquisa sobre neuroproteção, nutrição e outros possíveis mecanismos relacionados ao glaucoma. Entretanto, as diretrizes da European Glaucoma Society ressaltam que, até o momento, nenhum composto neuroprotetor demonstrou evidência clínica suficiente para ser considerado um tratamento eficaz para o glaucoma.

Isso não significa que hábitos saudáveis sejam irrelevantes. Significa apenas que eles não devem substituir o tratamento indicado para controlar a doença.

Faça do acompanhamento uma rotina

Glaucoma é uma doença para ser acompanhada ao longo da vida.vE a frequência das consultas não é igual para todos.

Um paciente estável pode ter um intervalo de acompanhamento diferente daquele que apresenta pressão fora da meta, doença avançada ou sinais de progressão. A American Academy of Ophthalmology recomenda que a frequência seja individualizada de acordo com controle da pressão, progressão e gravidade da doença.

Portanto, mais importante do que decorar um intervalo padrão é entender quando o seu oftalmologista quer revê-lo e por quê.

Tenho glaucoma. Vou ficar cego?

Essa provavelmente é uma das perguntas que mais geram ansiedade depois do diagnóstico. O glaucoma pode levar à perda irreversível da visão quando progride. Mas receber o diagnóstico de glaucoma não significa que a cegueira seja inevitável.

O objetivo do tratamento moderno é justamente reduzir a velocidade de progressão da doença para preservar a função visual e a qualidade de vida durante a vida do paciente. Diagnóstico, estágio da doença, resposta ao tratamento, adesão e acompanhamento são fatores importantes nessa trajetória.

Por isso, troque a pergunta “vou ficar cego?” por outra muito mais útil:

“O que podemos fazer para preservar minha visão pelo maior tempo possível?”

O glaucoma tem cura?

Na maioria das formas crônicas de glaucoma, falamos em controle, e não em cura. O dano já causado ao nervo óptico é considerado irreversível. Por isso, o tratamento busca evitar ou retardar novos danos. É justamente por esse motivo que o acompanhamento não deve ser abandonado quando a pressão melhora.

Pressão controlada é uma ótima notícia. Mas ela precisa continuar sendo acompanhada juntamente com o nervo óptico e a função visual.

Se você descobrir que tem glaucoma hoje, aqui estão os conselhos da Dra. Maria Beatriz Guerios, especialista em Glacoma.

  • Procure um oftalmologista com experiência em glaucoma. Entenda qual tipo de glaucoma você tem, em que estágio a doença está e qual é a sua pressão-alvo.
  • Aprenda a usar corretamente os colírios;
  • Organize e guarde seus exames;
  • Compareça às consultas mesmo se estiver enxergando;
  • Pergunte sempre que tiver dúvidas;
  • Não transforme seu diagnóstico numa sentença.

Glaucoma exige cuidado, tratamento e acompanhamento. Mas o diagnóstico também oferece algo extremamente importante: a oportunidade de agir para preservar a visão.

Perguntas frequentes sobre o diagnóstico de glaucoma

Descobri que tenho glaucoma. Preciso começar o tratamento imediatamente?

Depende do tipo de glaucoma, da pressão intraocular, do grau de dano ao nervo óptico, do campo visual e de outros fatores individuais. O plano deve ser definido pelo oftalmologista após avaliação completa.

Todo paciente com glaucoma precisa usar colírio?

Não necessariamente. Dependendo do caso, podem ser considerados medicamentos, laser ou procedimentos cirúrgicos.

Se minha pressão estiver normal, meu glaucoma está controlado?

Não necessariamente. O controle também precisa considerar a estabilidade do nervo óptico, dos exames de imagem e do campo visual. Além disso, a pressão considerada adequada é individualizada.

Posso parar o colírio quando a pressão baixar?

Não por conta própria. A redução da pressão geralmente demonstra que o tratamento está produzindo efeito. Qualquer mudança deve ser discutida com o oftalmologista.

Glaucoma pode piorar mesmo com a pressão controlada?

Pode. Quando há progressão apesar de a pressão estar dentro da meta estabelecida, o oftalmologista pode rever a pressão-alvo e modificar o tratamento.

Vou precisar tratar o glaucoma pelo resto da vida?

O glaucoma geralmente exige acompanhamento contínuo. O tratamento pode mudar ao longo do tempo de acordo com a evolução da doença e a resposta de cada paciente.

Com glaucoma posso ter uma vida normal?

Muitos pacientes mantêm suas atividades habituais. Eventuais limitações dependem principalmente do grau de comprometimento visual e devem ser avaliadas individualmente.

Qual é a informação mais importante para quem acabou de descobrir que tem glaucoma?

Que não basta apenas medir a pressão dos olhos. É necessário entender o tipo e o estágio da doença, estabelecer uma estratégia individualizada, acompanhar possíveis sinais de progressão e manter adesão ao tratamento.

Artigo com supervisão- Dra. Maria Beatriz Guerios – CRM 102.665 / RQE 96.065

A Dra. Maria Beatriz Guerios é médica oftalmologista e especialista em glaucoma, dedicando-se ao diagnóstico, acompanhamento e tratamento da doença. Seu trabalho é focado na preservação da visão por meio de uma abordagem individualizada e baseada nas evidências científicas mais atuais.

Formada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), conta com especialização pela UNIFESP. Possui Título de Especialista pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e pela Associação Médica Brasileira (AMB).

O consultório fica na Vila Nova Conceição, zona sul da cidade de São Paulo. O atendimento conta com a experiência em Glaucoma da Dra. Maria Beatriz, além de exames de ponta e cirurgia a laser para o glaucoma.

Para agendar a sua consulta, por favor mande mensagem no whatsapp ou ligue para:

(11) 97859 1080

Referências

EUROPEAN GLAUCOMA SOCIETY. Terminology and Guidelines for Glaucoma, 5th Edition. British Journal of Ophthalmology. 2021;105(Suppl 1):1-169.

AMERICAN ACADEMY OF OPHTHALMOLOGY PREFERRED PRACTICE PATTERN GLAUCOMA COMMITTEE. Primary Open-Angle Glaucoma Preferred Practice Pattern®. Ophthalmology. 2026;133(4):1-103.

NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE (NICE). Glaucoma: diagnosis and management – NG81. Recommendations.

 

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