Novos tratamentos para o Glaucoma – Veja quais são

Novos tratamentos para o Glaucoma – Veja quais são

Os novos tratamentos para o glaucoma estão surgindo na área da oftalmologia. Há também muitas pesquisas em andamento. Desse modo, há uma boa perspectiva a respeito do controle da doença nos próximos anos.

Primeiramente, é importante esclarecer que glaucoma é o nome dado a uma série de condições que levam a lesões irreversíveis no nervo óptico. Como resultado, há perda da visão de forma definitiva.

O mês de maio foi eleito para aumentar o conhecimento da população sobre o Glaucoma, por meio do Movimento Maio Verde. Aproveitando o momento, hoje vamos entrevistar a oftalmologista Dra. Maria Beatriz Guerios, especialista em Glaucoma.

Tratamento atuais para o Glaucoma

O principal fator de risco para o glaucoma é o aumento da pressão intraocular (PIO). Sendo assim, todos os tipos de abordagens terapêuticas visam à redução e ao controle da PIO. Atualmente, há tratamentos medicamentosos, por meio de colírios, além de cirurgias e implante de stents.

“Primeiramente, é importante saber que os colírios para glaucoma podem ajudar na drenagem do humor aquoso, bem como reduzir a sua produção. Contudo, em geral o paciente precisa usar mais de um colírio para atingir o controle da pressão intraocular. Desse modo, essa necessidade de múltiplos colírios afeta bastante a adesão ao tratamento. Portanto, temos uma taxa grande abandono do tratamento, especialmente entre idosos”, comenta Dra. Maria Beatriz.

Para além do abandono do tratamento, os colírios possuem substâncias, como conservantes, que ao longo do tempo, levam ao desenvolvimento da síndrome do olho seco. Estima-se que isso ocorre em 6 a cada 10 pacientes.

Cirurgias para Glaucoma

As cirurgias para glaucoma são importantes recursos para controle da doença. Há diferentes tipos de cirurgia, que podem ter indicações de acordo com o tipo de glaucoma. Para o glaucoma primário de ângulo aberto (GPPA), que corresponde a mais de 80% dos casos, as principais cirurgias são:

  • Trabeculoplastia Seletiva a Laser
  • Trabeculectomia
  • Cirurgia microinvasiva de glaucoma (MIGS), procedimento altamente personalizável, no qual o cirurgião coloca um pequeno stent no olho para drenar o excesso de fluido

Já para os glaucoma de ângulo fechado, as principais cirurgias são a Iridotomia e Iridoplastia.

Conheça melhor as cirurgias, como funcionam, como são feitas nos artigos em nosso BLOG

Trabeculoplastia Seletiva a Laser para tratar glaucoma – Como funciona

Stent para tratar glaucoma – Como funciona e onde encontrar

Como funciona a Iridoplastia a Laser para tratar o glaucoma

Novos tratamentos para o glaucoma – conheça os avanços

O tratamento do glaucoma evoluiu de forma importante nos últimos anos. Além dos tradicionais colírios, laser e cirurgias, novas estratégias buscam não apenas reduzir a pressão intraocular (PIO), mas também tornar o tratamento mais duradouro, diminuir a dependência do uso diário de medicamentos e, no futuro, possivelmente proteger as células do nervo óptico contra a progressão da doença.

Algumas dessas tecnologias já fazem parte da prática clínica, enquanto outras ainda estão sendo avaliadas em estudos clínicos ou permanecem em fase experimental.

Terapia gênica

A terapia gênica é uma das linhas mais inovadoras de pesquisa em glaucoma. A proposta é utilizar genes ou modificar sua expressão para atuar sobre mecanismos envolvidos na doença.

As pesquisas seguem diferentes caminhos. Algumas procuram aumentar a drenagem do humor aquoso e reduzir a pressão intraocular, enquanto outras investigam formas de proteger as células ganglionares da retina e favorecer mecanismos de neuroproteção e regeneração do nervo óptico.

Apesar dos resultados promissores obtidos principalmente em estudos experimentais e pré-clínicos, a terapia gênica ainda não é um tratamento disponível rotineiramente para pacientes com glaucoma. Portanto, ainda não é possível afirmar que essa estratégia consiga reparar, na prática clínica, os danos já causados ao nervo óptico.

Neuroproteção: é possível proteger o nervo óptico?

Atualmente, a principal estratégia comprovada para retardar a progressão do glaucoma continua sendo a redução da pressão intraocular. Entretanto, pesquisadores procuram tratamentos capazes de atuar diretamente sobre as células ganglionares da retina e o nervo óptico.

É o conceito de neuroproteção.

Entre as substâncias estudadas estão a nicotinamida (vitamina B3), citicolina e coenzima Q10 (CoQ10).

A nicotinamida tem despertado especial interesse. Um ensaio clínico randomizado publicado em 2020 encontrou melhora de alguns parâmetros funcionais da retina em pacientes com glaucoma que receberam suplementação de nicotinamida associada ao tratamento convencional.

Esses resultados são promissores, mas ainda não significam que a vitamina B3 seja um tratamento estabelecido para o glaucoma. Estudos maiores e de longo prazo são necessários para determinar sua eficácia, segurança e eventual papel na prevenção da progressão da doença.

Além disso, doses elevadas de vitaminas ou suplementos não devem ser utilizadas por conta própria.

Implantes que liberam medicamentos

Outra importante linha de inovação procura resolver um dos grandes desafios do tratamento do glaucoma: a necessidade de aplicar colírios todos os dias durante muitos anos.

Já existem tecnologias capazes de liberar medicamentos dentro do olho de maneira gradual, mantendo o efeito redutor da pressão intraocular durante determinado período.

Um exemplo é o implante intracameral de bimatoprosta, desenvolvido para liberar o medicamento progressivamente. Novos sistemas de liberação prolongada continuam sendo desenvolvidos e estudados com o objetivo de aumentar a duração do efeito e diminuir ainda mais a dependência dos colírios.

Essas tecnologias representam uma mudança importante no conceito de tratamento: em vez de depender exclusivamente de o paciente lembrar de aplicar o medicamento diariamente, o próprio dispositivo realiza sua liberação durante determinado período.

MIGS: cirurgias cada vez menos invasivas

As chamadas cirurgias minimamente invasivas do glaucoma (MIGS) também ampliaram as possibilidades de tratamento.

Essas técnicas utilizam pequenas incisões e diferentes dispositivos ou abordagens para melhorar a drenagem do humor aquoso e reduzir a pressão intraocular. Em determinados pacientes, podem apresentar recuperação mais rápida e perfil de segurança favorável quando comparadas às cirurgias filtrantes tradicionais.

Existem diferentes tipos de MIGS, que atuam em distintas vias de drenagem do humor aquoso. A indicação depende do tipo e da gravidade do glaucoma, da pressão intraocular que se pretende atingir e de outros fatores individuais.

É importante ressaltar que MIGS não substitui todas as cirurgias tradicionais de glaucoma. Casos avançados ou que necessitam de pressões intraoculares muito baixas podem exigir outras técnicas cirúrgicas.

Novos colírios e fórmulas sem conservantes

Os colírios continuam tendo papel importante no controle do glaucoma, mas também estão evoluindo.

Uma das principais mudanças é o desenvolvimento e maior utilização de formulações sem conservantes ou com sistemas conservantes menos agressivos para a superfície ocular.

Isso é particularmente relevante porque o glaucoma é uma doença crônica e o paciente pode precisar utilizar medicamentos durante muitos anos. A exposição prolongada a determinados conservantes, especialmente ao cloreto de benzalcônio (BAK), tem sido associada a alterações da superfície ocular, instabilidade do filme lacrimal, inflamação e sintomas de olho seco.

Revisões sistemáticas recentes indicam que a utilização de determinadas formulações sem conservantes pode melhorar parâmetros da superfície ocular e a tolerabilidade do tratamento.

Laser também ganhou protagonismo

Quando se fala em avanços no tratamento do glaucoma, não podemos deixar de mencionar a trabeculoplastia seletiva a laser (SLT).

Embora não seja uma tecnologia nova, estudos de longo prazo modificaram seu papel no tratamento do glaucoma.

O LiGHT Trial, um importante ensaio clínico randomizado, comparou o SLT como tratamento inicial com o uso de colírios em pacientes com glaucoma de ângulo aberto ou hipertensão ocular. Os resultados mostraram que o laser pode proporcionar controle eficaz da pressão intraocular e reduzir a necessidade de medicamentos em muitos pacientes.

O acompanhamento de seis anos do estudo reforçou os benefícios de utilizar o SLT como uma das opções de tratamento inicial em pacientes selecionados.

O futuro pode ir além da redução da pressão intraocular

Durante décadas, o tratamento do glaucoma esteve concentrado principalmente em um objetivo: reduzir a pressão intraocular para preservar o nervo óptico.

Esse continua sendo o principal tratamento comprovadamente capaz de modificar o curso da doença.

Entretanto, as pesquisas atuais procuram ir além. Terapia gênica, neuroproteção, sistemas de liberação prolongada de medicamentos e novas tecnologias cirúrgicas apontam para um futuro em que o tratamento poderá ser cada vez mais individualizado, duradouro e direcionado aos diferentes mecanismos envolvidos no glaucoma.

Até que essas novas estratégias tenham eficácia e segurança comprovadas, o diagnóstico precoce, o acompanhamento regular e o controle adequado da pressão intraocular continuam sendo fundamentais para preservar a visão.

Outro foco das pesquisas é encontrar moléculas que reduzam a necessidade de aplicar o colírio várias vezes ao dia.

Como a IA pode ajudar no tratamento do glaucoma

A inteligência artificial tem um papel cada vez maior no diagnóstico de doenças oculares. As ferramentas de IA podem analisar imagens diagnósticas e identificar sinais precoces do glaucoms e de outras patologias oftalmológicas.

Recentemente, os professores Edson Satoshi, da Escola Politécnica da USP e Vital Costa, da Unicamp, desenvolveram uma ferramenta de IA que pode ajudar na diagnóstico do Glaucoma.

A ferramenta usa aprendizagem supervisionada para receber diversos dados clínicos e retornar uma confirmação se há suspeita ou não de glaucoma. Segundo os autores, esse sistema desenvolvido tem maior chance de acertar um diagnóstico em comparação ao oftalmologista-geral e a ferramenta acelera a precisão no diagnóstico, além de baratear o processo de tratamento da doença.

Conclusão – Novos tratamentos para o glaucoma podem mudar o curso da doença

Como vimos, os novos tratamentos para o glaucoma estão surgindo. Alguns, por exemplo, podem mudar o curso da doença. “Contudo, o mais importante ainda é o diagnóstico precoce. Portanto, a recomendação é procurar um oftalmologista regularmente para manter os exames de rotina em dia. Acima dos 40 anos, é crucial fazer esse acompanhamento anualmente, já que é nessa idade que o risco de desenvolver o glaucoma aumenta”, finaliza Dra. Maria Beatriz.


Artigo com supervisão- Dra. Maria Beatriz Guerios – CRM 102.665 / RQE 96.065

A Dra. Maria Beatriz Guerios é médica oftalmologista e especialista em glaucoma, dedicando-se ao diagnóstico, acompanhamento e tratamento da doença. Seu trabalho é focado na preservação da visão por meio de uma abordagem individualizada e baseada nas evidências científicas mais atuais.

Formada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), conta com especialização pela UNIFESP. Possui Título de Especialista pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e pela Associação Médica Brasileira (AMB).

O consultório fica na Vila Nova Conceição, zona sul da cidade de São Paulo. O atendimento conta com a experiência em Glaucoma da Dra. Maria Beatriz, além de exames de ponta e cirurgia a laser para o glaucoma.

Para agendar a sua consulta, por favor mande mensagem no whatsapp ou ligue para:

(11) 97859 1080

Atualizado 17.09.2026

 


Fontes:

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GAZZARD, G.; KONSTANTAKOPOULOU, E.; GARWAY-HEATH, D.; et al. Laser in Glaucoma and Ocular Hypertension (LiGHT) Trial: Six-Year Results of Primary Selective Laser Trabeculoplasty versus Eye Drops for the Treatment of Glaucoma and Ocular Hypertension. Ophthalmology. 2023;130(2):139-151. doi:10.1016/j.ophtha.2022.09.009.

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WASYLUK, J.; ROTUSKI, G.; DUBISZ, M.; RÓŻYCKI, R. Ocular Surface Parameters in Glaucoma Patients Treated with Topical Prostaglandin Analogs and the Importance of Switching to Preservative-Free Eye Drops—A Systematic Review. Life. 2025;15(12):1837. doi:10.3390/life15121837.

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