
Stent para glaucoma: o que é, como funciona o iStent e quem pode fazer a cirurgia?
O stent para glaucoma é um pequeno dispositivo médico implantado dentro do olho para facilitar a drenagem do humor aquoso e ajudar a reduzir a pressão intraocular (PIO). O procedimento faz parte das chamadas cirurgias minimamente invasivas para glaucoma (MIGS) e pode ser indicado para determinados pacientes, especialmente aqueles com glaucoma de ângulo aberto.
Entre os dispositivos disponíveis está o iStent, considerado um dos menores implantes médicos utilizados no corpo humano. Apesar de suas dimensões microscópicas, essa tecnologia representa um importante avanço no tratamento cirúrgico do glaucoma. O objetivo do implante é contribuir para o controle da pressão intraocular, principal fator de risco modificável para a progressão do glaucoma.
Segundo a Dra. Maria Beatriz Guerios, oftalmologista especialista em glaucoma em São Paulo, para compreender como o stent funciona, primeiro é necessário entender a relação entre a pressão intraocular e a doença.
Algumas pessoas, de acordo com fatores de risco e situações especiais, como traumas e lesões no olho, apresentam problemas na drenagem do humor aquoso. Isso acarreta o aumento da PIO, que, por sua vez, pode causar danos permanentes no nervo óptico. O resultado é a perda da visão.
Qual é a relação entre a pressão intraocular e o glaucoma?
O glaucoma é uma doença que provoca danos progressivos ao nervo óptico, estrutura responsável por transmitir as informações visuais dos olhos ao cérebro.
O aumento da pressão intraocular é um dos principais fatores associados ao desenvolvimento e à progressão da doença. Entretanto, o glaucoma também pode ocorrer em pessoas com pressão ocular dentro dos valores considerados estatisticamente normais.
Dentro do olho existe um líquido transparente chamado humor aquoso, produzido continuamente pelo corpo ciliar. Esse líquido circula pela parte anterior do olho e é drenado principalmente por uma estrutura denominada malha trabecular, localizada no ângulo formado entre a córnea e a íris. Em condições normais, existe um equilíbrio entre a produção e a drenagem do humor aquoso.
Quando há resistência ao escoamento desse líquido, a pressão intraocular pode aumentar, contribuindo para danos às fibras do nervo óptico. Como essas lesões são irreversíveis, o diagnóstico precoce e o controle adequado da pressão intraocular são fundamentais para preservar a visão.
O que é o iStent para glaucoma?
O iStent é um microimplante desenvolvido para facilitar a drenagem do humor aquoso e reduzir a pressão intraocular em pacientes selecionados com glaucoma. Trata-se de um dispositivo extremamente pequeno, inserido na região da malha trabecular por meio de uma técnica cirúrgica minimamente invasiva.
O iStent faz parte de uma categoria de procedimentos conhecida pela sigla MIGS (Minimally Invasive Glaucoma Surgery), que significa cirurgia minimamente invasiva para glaucoma. Essas técnicas procuram reduzir a pressão intraocular com menor manipulação dos tecidos oculares em comparação com determinadas cirurgias tradicionais.
O iStent é o menor dispositivo médico implantável do mundo?
O iStent e suas versões posteriores estão entre os menores dispositivos médicos implantáveis desenvolvidos para uso humano. O dispositivo, por exemplo, possui aproximadamente 0,36 milímetro de comprimento. Para ter uma ideia, isso representa uma dimensão muito menor que a de um grão de arroz.
Apesar do tamanho microscópico, o stent para glaucoma foi desenvolvido para atuar diretamente no sistema de drenagem do humor aquoso. É importante destacar que existem diferentes gerações e modelos de iStent, com características e indicações específicas.
Como funciona o iStent para glaucoma?
O iStent funciona como uma pequena passagem que facilita o escoamento do humor aquoso através da malha trabecular. Durante o procedimento, o cirurgião posiciona o microimplante de maneira que ele estabeleça uma comunicação entre a câmara anterior do olho e o canal de Schlemm, estrutura que participa da drenagem natural do humor aquoso.
Dessa forma, o dispositivo ajuda a contornar parte da resistência existente na malha trabecular, favorecendo a saída do líquido. Com a melhora da drenagem, a pressão intraocular pode diminuir. O iStent não interrompe a produção do humor aquoso e não libera medicamentos. Seu mecanismo de ação é essencialmente mecânico.
O objetivo é facilitar a drenagem natural do olho para contribuir com o controle da pressão intraocular.
Quais são as indicações do iStent para glaucoma?
O implante de iStent é utilizado principalmente em pacientes com glaucoma de ângulo aberto. De maneira geral, a técnica pode ser considerada em casos selecionados de glaucoma leve a moderado, especialmente quando existe a necessidade de melhorar o controle da pressão intraocular ou reduzir a quantidade de medicamentos utilizados.
Entretanto, a indicação depende de diversos fatores:
- Tipo de glaucoma;
- Estágio da doença;
- Pressão intraocular atual;
- Pressão-alvo estabelecida pelo oftalmologista;
- Quantidade de colírios utilizados;
- Resposta aos tratamentos anteriores;
- Características anatômicas do ângulo de drenagem;
- Presença de catarata;
- Histórico de cirurgias oculares.
O iStent não é indicado indiscriminadamente para todos os pacientes com glaucoma. Nos casos avançados, especialmente quando é necessária uma redução muito expressiva da pressão intraocular, outras técnicas cirúrgicas podem ser mais adequadas.
O iStent pode ser implantado durante a cirurgia de catarata?
Sim. Uma das aplicações mais estudadas do iStent é sua implantação durante a cirurgia de catarata em pacientes que também apresentam glaucoma de ângulo aberto. Nesses casos, o oftalmologista pode realizar os dois procedimentos durante o mesmo ato cirúrgico.
Isso permite tratar a catarata e, simultaneamente, facilitar a drenagem do humor aquoso. Entretanto, a associação dos procedimentos depende da indicação clínica e das características do dispositivo utilizado. Também existem estudos sobre a implantação isolada de determinados modelos de iStent, sem associação à cirurgia de catarata.
A disponibilidade e a indicação de cada modalidade devem considerar as autorizações regulatórias aplicáveis e a avaliação do especialista.
Quais são os benefícios do stent para glaucoma?
Entre os principais benefícios potenciais do iStent estão a redução da pressão intraocular e a possibilidade de diminuir a necessidade de medicamentos para o glaucoma.
Além disso, a técnica apresenta outras características relevantes:
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Procedimento minimamente invasivo
O implante é realizado por uma pequena incisão, geralmente com menor manipulação dos tecidos oculares quando comparado a determinadas cirurgias filtrantes tradicionais.
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Preservação de estruturas oculares
Como o procedimento utiliza a via natural de drenagem do humor aquoso, preserva a conjuntiva, aspecto importante caso o paciente necessite de determinadas cirurgias adicionais no futuro.
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Possibilidade de reduzir o uso de colírios
Alguns pacientes conseguem diminuir a quantidade de medicamentos necessários para controlar a pressão intraocular.
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Associação à cirurgia de catarata
Em pacientes selecionados, o implante pode ser realizado durante a cirurgia de catarata.
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Perfil de segurança favorável em pacientes adequadamente selecionados
Estudos clínicos demonstram resultados positivos em relação à segurança do procedimento, embora existam riscos e possíveis complicações.
O que dizem os estudos científicos sobre a eficácia do stent para glaucoma?
As evidências científicas mostram que o iStent pode proporcionar reduções sustentadas da pressão intraocular e da necessidade de medicamentos em pacientes selecionados. Um estudo publicado em 2024, que acompanhou 125 olhos submetidos ao implante de iStent inject, avaliou os resultados durante sete anos.
Os pesquisadores observaram reduções médias da pressão intraocular entre aproximadamente 36% e 40% na população total, dependendo do momento da avaliação. Também houve diminuição significativa do número de medicamentos utilizados.
É importante considerar que se trata de um estudo prospectivo não randomizado, sem grupo de controle, e que seus resultados não devem ser interpretados como garantia de eficácia para todos os pacientes.
Outro estudo, publicado no European Journal of Ophthalmology, avaliou pacientes com glaucoma de ângulo aberto submetidos ao implante isolado de iStent inject.
Após 24 meses, a pressão intraocular média diminuiu de aproximadamente 20,5 mmHg para 16,2 mmHg. Também foi observada redução na quantidade média de medicamentos utilizados. Os resultados reforçam o potencial do dispositivo como alternativa terapêutica para pacientes selecionados. Entretanto, a escolha do tratamento deve considerar o estágio do glaucoma, a pressão-alvo e as necessidades individuais.
O iStent substitui os colírios para glaucoma?
Não necessariamente. Embora um dos benefícios potenciais do iStent seja reduzir a necessidade de medicamentos, o implante não garante que o paciente poderá abandonar os colírios. Algumas pessoas conseguem diminuir a quantidade de medicamentos após a cirurgia. Outras continuam precisando utilizá-los para manter a pressão intraocular dentro da meta estabelecida.
Isso acontece porque o glaucoma é uma doença crônica e o tratamento precisa ser individualizado. A decisão de reduzir ou suspender qualquer medicamento deve ser tomada exclusivamente pelo oftalmologista, após a avaliação dos resultados do procedimento.
Como é realizada a cirurgia para implante de iStent?
O implante do iStent é realizado por um oftalmologista habilitado na técnica. O procedimento utiliza instrumentos microcirúrgicos e sistemas de visualização específicos para permitir o posicionamento preciso do dispositivo na região da malha trabecular. De maneira geral, a cirurgia envolve as seguintes etapas:
- Administração da anestesia indicada para o paciente;
- Realização de uma pequena incisão na córnea;
- Visualização do ângulo de drenagem do olho;
- Posicionamento do microimplante na malha trabecular;
- Verificação do posicionamento do dispositivo e finalização do procedimento.
Quando associado à cirurgia de catarata, o implante é realizado durante o mesmo ato cirúrgico. A técnica específica pode variar conforme o modelo do dispositivo e as características do paciente.
Como é a recuperação após a cirurgia com iStent?
A recuperação após o implante de iStent costuma ser relativamente rápida, especialmente quando comparada à recuperação de algumas cirurgias tradicionais para glaucoma. Entretanto, o período pós-operatório varia conforme as características do paciente e a realização ou não de outros procedimentos associados.
Nos primeiros dias, podem ocorrer manifestações como:
- Visão temporariamente embaçada;
- Vermelhidão ocular;
- Sensibilidade à luz;
- Leve desconforto;
- Oscilações da pressão intraocular.
O paciente deverá utilizar os medicamentos prescritos pelo oftalmologista e seguir as orientações sobre atividades físicas, higiene ocular e retorno às atividades habituais. As consultas pós-operatórias são fundamentais para verificar a pressão intraocular, avaliar o posicionamento do dispositivo e acompanhar a recuperação.
Dor intensa, piora importante da visão ou vermelhidão acentuada exigem avaliação médica imediata.
Quais são os riscos da cirurgia com iStent?
Embora seja considerado um procedimento minimamente invasivo, o implante de iStent não está livre de riscos. Entre as possíveis complicações estão:
- Sangramento na câmara anterior do olho, conhecido como hifema;
- Elevação transitória da pressão intraocular;
- Obstrução do dispositivo;
- Posicionamento inadequado do implante;
- Inflamação ocular;
- Necessidade de tratamentos adicionais.
Uma meta-análise publicada no Journal of Current Glaucoma Practice avaliou 28 estudos envolvendo 1.767 olhos tratados com dispositivos iStent de primeira ou segunda geração.
Os pesquisadores identificaram redução da pressão intraocular e da necessidade de medicamentos, mas também registraram eventos adversos, principalmente elevação da pressão intraocular, obstrução ou posicionamento inadequado do dispositivo e hifema. Os resultados reforçam a importância da seleção adequada dos pacientes e do acompanhamento pós-operatório.
Quanto tempo dura o efeito do iStent?
O iStent é um implante desenvolvido para permanecer no olho. Entretanto, a permanência física do dispositivo não significa que o controle da pressão intraocular será necessariamente mantido por toda a vida. O glaucoma é uma doença crônica e progressiva, e a resposta ao tratamento pode mudar ao longo dos anos.
Estudos de acompanhamento de longo prazo demonstraram resultados favoráveis em determinados grupos de pacientes, inclusive após cinco e sete anos. Apesar disso, alguns pacientes podem precisar retomar medicamentos, realizar tratamentos complementares ou passar por outras cirurgias. Por essa razão, o acompanhamento oftalmológico continua sendo indispensável após o implante.
Quanto custa a cirurgia de glaucoma com iStent?
O valor da cirurgia com iStent pode variar conforme diversos fatores, incluindo o modelo do dispositivo, os honorários profissionais, a estrutura hospitalar e a realização simultânea de cirurgia de catarata. Por isso, não existe um preço único para o procedimento. A indicação cirúrgica e o orçamento devem ser estabelecidos após uma avaliação oftalmológica individualizada.
O plano de saúde cobre a cirurgia com iStent?
A cobertura do implante de iStent depende das regras assistenciais e regulatórias aplicáveis, das características do contrato e da indicação médica. É importante verificar as disposições vigentes da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), incluindo o Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde e eventuais diretrizes de utilização.
A existência de cobertura para determinado procedimento não significa necessariamente que todos os modelos de dispositivos ou todas as indicações clínicas estejam contemplados. O paciente deve consultar sua operadora e solicitar orientações sobre a documentação necessária.
Onde fazer cirurgia de glaucoma com iStent em São Paulo?
O tratamento cirúrgico do glaucoma exige avaliação individualizada e conhecimento das diferentes técnicas disponíveis para controlar a pressão intraocular. A escolha do procedimento deve considerar o tipo de glaucoma, o estágio da doença, os resultados dos exames e a pressão-alvo estabelecida para cada paciente.
Perguntas frequentes sobre o iStent para glaucoma
O paciente sente o iStent dentro do olho?
Em geral, não. O dispositivo é extremamente pequeno e fica implantado em uma estrutura interna do olho. Normalmente, o paciente não percebe sua presença.
O stent melhora a visão perdida pelo glaucoma?
Não. O implante tem como objetivo reduzir a pressão intraocular e contribuir para diminuir o risco de progressão da doença. Os danos já estabelecidos no nervo óptico não são revertidos pelo procedimento.
O iStent pode sair do lugar?
O deslocamento ou posicionamento inadequado do dispositivo é uma complicação possível, embora não seja frequente. O posicionamento do implante deve ser avaliado pelo oftalmologista.
Quem tem glaucoma avançado pode colocar iStent?
O iStent é utilizado principalmente em determinados casos de glaucoma de ângulo aberto. Pacientes com doença avançada podem precisar de reduções mais expressivas da pressão intraocular, que nem sempre são alcançadas com essa técnica. A indicação depende de avaliação individualizada.
O iStent cura o glaucoma?
Não. O glaucoma ainda não tem cura. O iStent é uma das alternativas disponíveis para ajudar a controlar a pressão intraocular e reduzir o risco de progressão da doença.
O tratamento do glaucoma deve ser individualizado
O desenvolvimento de dispositivos como o iStent ampliou as possibilidades de tratamento do glaucoma, especialmente para pacientes que podem se beneficiar das cirurgias minimamente invasivas. Entretanto, nenhuma técnica é indicada para todos os casos. A escolha do tratamento depende das características da doença, da pressão intraocular, dos resultados dos exames e das necessidades individuais.
O mais importante é compreender que o glaucoma exige acompanhamento contínuo, mesmo quando a pressão intraocular está controlada.
O diagnóstico precoce, o tratamento adequado e a realização periódica dos exames são fundamentais para preservar a visão e a qualidade de vida.
Artigo com supervisão- Dra. Maria Beatriz Guerios – CRM 102.665 / RQE 96.065
A Dra. Maria Beatriz Guerios é médica oftalmologista e especialista em glaucoma, dedicando-se ao diagnóstico, acompanhamento e tratamento da doença. Seu trabalho é focado na preservação da visão por meio de uma abordagem individualizada e baseada nas evidências científicas mais atuais.
Formada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), conta com especialização pela UNIFESP. Possui Título de Especialista pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e pela Associação Médica Brasileira (AMB).
O consultório fica na Vila Nova Conceição, zona sul da cidade de São Paulo. O atendimento conta com a experiência em Glaucoma da Dra. Maria Beatriz, além de exames de ponta e cirurgia a laser para o glaucoma.
Para agendar a sua consulta, por favor mande mensagem no whatsapp ou ligue para:
(11) 97859 1080
Referências científicas
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