
Ômega-3 e Glaucoma – Como esse nutriente pode proteger os seus olhos
O ômega-3 e o glaucoma são temas de vários estudos ao longo dos anos. Afinal, o interesse pelo papel da nutrição na saúde ocular tem crescido — especialmente quando falamos em doenças silenciosas e progressivas, como o glaucoma.
Entre os nutrientes mais estudados, o ômega-3 é um dos que se destacam. Contudo, será que ele realmente pode ajudar a prevenir o glaucoma ou a proteger o nervo óptico? É o que vamos descobrir neste artigo.
O que é o ômega-3 e por que ele é importante para a saúde ocular
O ômega-3 é um tipo de gordura essencial, com uma potente ação anti-inflamatória. Seus principais componentes, EPA e DHA, estão presentes em peixes de água fria, como salmão e sardinha.
O DHA (ácido docosa-hexaenoico) é um tipo de gordura essencial com alta concentração no sistema nervoso. O DHA é um dos principais componentes estruturais do cérebro, dos nervos e da retina, por exemplo.
No contexto oftalmológico, o DHA tem um papel especialmente relevante: ele é um dos principais constituintes das membranas das células da retina — incluindo as células ganglionares, que formam o nervo óptico.
Já o EPA (ácido eicosapentaenoico) atua principalmente como modulador de processos inflamatórios. Ele não é estrutural como o DHA, mas tem funções importantes, como redução da inflamação, melhora da circulação sanguínea e contribuição na resposta imune. Na saúde ocular, o EPA pode contribuir, de forma indireta, para a melhora do fluxo sanguíneo nos olhos e a redução de processos inflamatórios que podem afetar o nervo óptico.
O que diz o estudo mais recente sobre ômega-3 e glaucoma?
Um estudo recente, publicado no final de 2025 na Investigative Ophthalmology & Visual Science, apontou que pessoas com níveis mais elevados de ômega-3 no sangue apresentaram menor risco de desenvolver glaucoma primário de ângulo aberto (GPAA), a forma mais comum da doença.
Além disso, os pesquisadores observaram que o equilíbrio entre ômega-3 e ômega-6 também parece ser importante — sugerindo que não é apenas a quantidade, mas a qualidade da alimentação que influencia a saúde ocular.
O que isso significa na prática?
Esse tipo de estudo mostra uma associação, ou seja:
• pessoas com mais ômega-3 no organismo tendem a ter menor risco de glaucoma
• mas não podemos afirmar, ainda, que o ômega-3, sozinho, previne a doença
Ainda assim, os dados reforçam uma hipótese importante: a de que fatores metabólicos e inflamatórios têm papel relevante no desenvolvimento do glaucoma.
Ômega-3 pode proteger o nervo óptico?
Estudos experimentais (em laboratório e modelos animais) já demonstraram que o ômega-3 pode ajudar a:
- reduzir processos inflamatórios
• diminuir o estresse oxidativo
• proteger as células ganglionares da retina
Existe impacto na pressão intraocular?
Outro ponto interessante é que alguns estudos clínicos já observaram uma redução discreta da pressão intraocular com a suplementação de ômega-3.
Dessa forma, uma vez que o aumento da pressão intraocular é o principal fator de risco modificável para o glaucoma, mesmo pequenas reduções podem ser cruciais ao longo do tempo.
Ômega-3 substitui o tratamento do glaucoma?
Não. Essa é uma orientação fundamental: o ômega-3 não substitui colírios, laser ou cirurgia quando indicados.
O tratamento do glaucoma deve sempre ser individualizado e acompanhado por um oftalmologista especialista.
Então vale a pena consumir ômega-3?
Do ponto de vista médico, o ômega-3 pode ser considerado um aliado da saúde ocular, especialmente como parte de uma abordagem preventiva e global.
Ele pode contribuir para:
• saúde da retina
• melhora da superfície ocular (especialmente em pacientes com olho seco)
• possível redução de fatores inflamatórios associados ao glaucoma
Conclusão
Os estudos sobre o papel do ômega-3 na visão são promissores, especialmente no que diz respeito à proteção do nervo óptico. Vale lembrar que o nutriente também contribui para outros sistemas e órgãos.
De qualquer maneira, a recomendação é procurar um oftalmologista para uma avaliação e prescrição correta de suplementos, como o ômega-3.
Quando procurar avaliação?
Se você tem histórico familiar de glaucoma, mais de 40 anos ou qualquer alteração visual, a avaliação oftalmológica regular é essencial.
O diagnóstico precoce do glaucoma é crucial para evitar a perda definitiva da visão. Hoje, já existem inúmeros tratamentos, como colírios e cirurgias, que impedem a progressão da doença.
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Dra. Maria Beatriz Guerios é Oftalmologista Geral e especialista em Glaucoma.
O consultório fica na cidade de São Paulo.
Para mais informações, ligue para (11) 97859- 1080
