
Glaucoma congênito – Sinais Sintomas e Tratamento
O glaucoma congênito é uma doença rara que afeta os olhos de bebês e crianças pequenas. Ele acontece quando há um problema na drenagem do líquido dentro do olho (chamado humor aquoso). Esse líquido é produzido normalmente pelo olho, mas quando não consegue sair da forma correta, a pressão intraocular aumenta.
Com o tempo, essa pressão elevada pode danificar o nervo óptico, que é responsável por levar as imagens do olho até o cérebro. Sem tratamento, o glaucoma congênito pode causar perda parcial ou total da visão.
Para conhecer melhor o glaucoma congênito, hoje vamos entrevistar a oftalmologista Dra. Maria Beatriz Guerios, especialista em Glaucoma.
Glaucoma congênito – O que você precisa saber
“Primeiramente, é importante entender que glaucoma é nome dado a uma série de condições que causam danos no nervo óptico. Como resultado, ocorre a perda da visão. Sendo assim, há vários tipos de glaucoma, sendo um deles o glaucoma congênito. Em outras palavras, é o glaucoma que está presente desde o nascimento”, explica Dra. Maria Beatriz.
Estima-se que o glaucoma congênito atinge 1 em cada 10 a 18 mil crianças no primeiro ano de vida.
Má formação é a causa do glaucoma congênito
Segundo estudos, o glaucoma primário congênito ocorre em bebês que apresentam uma malformação embrionária, que afeta o desenvolvimento da malha trabecular. Essa estrutura é responsável pela drenagem do humor aquoso, líquido que preenche o globo ocular.
“Portanto, essa malformação na malha trabecular afeta a drenagem do humor aquoso. Como resultado, a pressão intraocular aumenta, causando danos no nervo óptico. Diante disso, é importante entender que as lesões no nervo óptico são irreversíveis e acarretam perda da visão de forma definitiva”, alerta Dra. Maria Beatriz.
Contudo, para além da malformação, o glaucoma congênito pode aparecer em bebês cujas mães tiveram doenças como rubéola, herpes, sífilis, zika, toxoplasmose e citomegalovírus durante a gestação. O outro grupo de atenção são as crianças com alterações genéticas.
Sinais e sintomas do glaucoma congênito
Primeiramente, é importante reforçar que o diagnóstico do glaucoma congênito é um desafio. A razão é que os sinais e sintomas podem ser diferentes de criança para criança. Além disso, as manifestações clínicas também podem variar de acordo com o grau de malformação anatômica do sistema visual.
“Contudo, de maneira geral, podemos desconfiar de um glaucoma congênito quando a criança apresenta fotofobia (sensibilidade à luz), lacrimejamento e blefaroespasmo. Esse último se caracteriza pelo descontrole do ato de piscar. Também precisamos nos preocupar com o inchaço da córnea, alterações no nervo óptico e o sintoma mais típico desse glaucoma, que é o aumento do globo ocular”, alerta Dra. Maria Beatriz.
Se o bebê já nasce com o glaucoma, é possível diagnosticar ainda na maternidade?
A resposta para essa pergunta não é tão simples. A maioria das maternidades no Brasil realizam o “teste do olhinho”, o Teste do Reflexo Vermelho.
“Contudo, pode não ser suficiente para detectar o glaucoma congênito. Desse modo, é muito importante levar o bebê em seu primeiro ano de vida para uma consulta oftalmológica de rotina. Acima de tudo, se o bebê possui algum fator de risco conhecido para o glaucoma congênito, o acompanhamento oftalmológico é ainda mais importante”, reforça Dra. Maria Beatriz.
Como funciona o tratamento
O glaucoma é uma doença crônica e progressiva. Sendo assim, o tratamento visa impedir os danos no nervo óptico e, dessa maneira, evitar a perda da visão. O principal objetivo do tratamento é manter a pressão intraocular sob controle.
“Ao contrário do glaucoma em adultos, que pode ter tratado com colírios e cirurgia, o glaucoma congênito demanda tratamento cirúrgico. Em geral, a cirurgia tende a normalizar a drenagem do humor aquoso e, com isso, evitar os danos no nervo óptico”, comenta Dra. Maria Beatriz.
Cuidados na gravidez são essenciais para prevenir o glaucoma congênito
“Uma vez que há fatores de risco bem estabelecidos para o glaucoma congênito, há cuidados que podem prevenir seu desenvolvimento. Um deles é tomar a vacina da rubéola antes de engravidar. Além disso, mulheres que pretendem ser mães devem realizar vários exames antes de gestar, incluindo o da sífilis, que é outra causa importante do glaucoma em bebês e crianças”, aponta a especialista.
Prognóstico
O comportamento do glaucoma congênito ao longo da vida depende de muitos fatores. Sem dúvidas, os casos em que o diagnóstico e o tratamento são precoces, há uma boa chance de a criança não evoluir para a perda da visão.
“Por fim, a principal recomendação é procurar um oftalmologista ainda no primeiro ano de vida para uma consulta de rotina, principalmente quando há histórico familiar da doença e de outros fatores de risco associados”, finaliza Dra. Maria Beatriz.
Dra. Maria Beatriz Guerios é Oftalmologista Geral e especialista em Glaucoma.
O consultório fica na cidade de São Paulo.
Para mais informações, ligue para (11) 97859- 1080
Matéria produzida pela jornalista Leda Maria Sangiorgio – MTB 30.714
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