O glaucoma é hereditário? Qual o papel da genética na doença

O glaucoma é hereditário? Qual o papel da genética na doença

O glaucoma é hereditário, mas não em todos os casos. Isso porque glaucoma é um termo usado para diversas condições que causam danos no nervo óptico, levando à perda definitiva da visão. Por outro lado, um dos principais fatores de risco do glaucoma é justamente ter histórico familiar da doença.

Para falar um pouco mais sobre o papel da genética e porque em alguns casos o glaucoma é hereditário, hoje vamos entrevistar a oftalmologista geral, Dra. Maria Beatriz Guerios, especialista em glaucoma.

Glaucoma é uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo

O glaucoma é uma doença silenciosa, que não causa sintomas nas fases iniciais. Por esse motivo, quando o paciente percebe alguma alteração visual, a doença já está mais avançada. O principal fator de risco é o aumento da pressão intraocular, que causa danos irreversíveis no nervo óptico.

Primeiramente, é importante esclarecer que existem vários tipos de glaucoma e cada um deles têm diferentes causas e origens. Entre os principais tipos estão:

  • Glaucoma Primário de Ângulo Aberto (GPAA)
  • Glaucoma Primário de Ângulo Fechado (GPAF)
  • Glaucoma agudo
  • Glaucoma juvenil
  • Glaucoma congênito
  • Glaucoma de Tensão Normal
  • Glaucoma Neovascular

Vale ressaltar que o GPPA é o tipo mais comum de glaucoma e representa cerca de 90% dos casos.

Leia mais aqui sobre o Glaucoma Primário de Ângulo Aberto

Glaucoma é hereditário em alguns casos

Embora o glaucoma tenha associação com o aumento da PIO, há inúmeros fatores que contribuem para o seu desenvolvimento. A genética, contudo, tem um papel fundamental nesse processo.

“Sendo assim, compreender a influência da genética no glaucoma é crucial para o diagnóstico precoce, bem como para realizar exames em grupos de risco. Em outras palavras, quando há casos de glaucoma na família, é muito importante passar em consultas com um oftalmologista mais cedo”, comenta Dra. Maria Beatriz.

A influência genética no glaucoma

Ao longo dos anos, estudos apontaram que pessoas com histórico familiar de glaucoma têm um risco significativamente maior de desenvolver a doença. Segundo o National Eye Institute, quem possui parentes de primeiro grau com glaucoma têm até 9 vezes mais risco de desenvolver a condição.

O glaucoma é hereditário, portanto, quando pessoas de uma mesma família apresentam mutações genéticas e variantes, associadas ao glaucoma. Em contrapartida, apresentar essas alterações genéticas não quer dizer que a pessoa vai desenvolver o glaucoma. Isso porque existem outros fatores, como a idade, que aumentam o risco.

Quando o glaucoma é hereditário, a idade aumenta o risco de desenvolvê-lo, diz estudo

Inclusive, um estudo recente, apontou que o risco de desenvolver o glaucoma hereditário aumenta de forma significativa com a idade. De acordo com o estudo, a incidência em 5 anos de pelo menos um possível glaucoma primário de ângulo aberto (GPAA) aumentou de 0,5% em participantes com idades entre 40 e 49 anos para 4,1% em participantes com idades entre 60 e 69 anos.

Adicionalmente, é importante esclarecer que hoje existem inúmeros estudos em andamento, que já identificaram vários genes e variantes, associados ao risco maior de ter um glaucoma. Conheça alguns deles:

  • MYOC (Myocilin): mutações nesse gene estão associadas a formas hereditárias de GPAA, especialmente em pacientes jovens.
  • OPTN (Optineurin) e TBK1: associados ao glaucoma de pressão normal, que ocorre mesmo quando a pressão intraocular está dentro dos limites normais.
  • LOXL1: fortemente ligado ao glaucoma pseudoexfoliativo, uma forma secundária comum em populações europeias.

Testes genéticos e triagem precoce

“Uma vez que já existem conhecimentos e estudos a respeito do papel da genética, quando o glaucoma é hereditário, ou seja, quando já casos da família, é importante procurar um oftalmologista assim que possível”, alerta Dra. Maria Beatriz.

Futuramente, o objetivo é desenvolver testes genéticos que possam identificar os genes associados ao risco maior de glaucoma. Adicionalmente, a ideia é que esses testes sejam acessíveis à população em geral.

Dessa maneira, o estudo genético pode ser muito importante para predizer casos de glaucoma em pessoas que ainda não apresentam sinais e sintomas da doença.

Conclusão

“O glaucoma é uma doença silenciosa, que pode levar à perda definitiva da visão. A doença afeta a visão e, com isso, traz impactos negativos como redução da renda, perda da autonomia, aumento do risco de desenvolver depressão, ansiedade, entre outros prejuízos. Portanto, quando o glaucoma é hereditário, é crucial criar uma rotina de exames oftalmológicos ao longo da vida”, finaliza Dra. Maria Beatriz.

 

 Dra. Maria Beatriz Guerios  é Oftalmologista Geral e especialista em Glaucoma, bem como faz parte de uma equipe altamente capacitada, com as mais diversas especialidades da oftalmologia.

O consultório fica na cidade de São Paulo, na Vila Nova Conceição (zona Sul).

Para mais informações, ligue para (11) 3846-0200

 

Matéria produzida pela jornalista Leda Maria Sangiorgio – MTB 30.714
É expressamente proibida a cópia parcial ou total do material, sob pena da Lei de Direitos Autorais, número 10.695. 

 

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