Oftalmologista deixa os filhos usarem celular? Entenda os riscos das telas para a visão infantil

Oftalmologista deixa os filhos usarem celular? Entenda os riscos das telas para a visão infantil

Oftalmologista deixa os filhos usarem celular? A resposta pode surpreender muitos pais. Afinal, os riscos do excesso de telas para a saúde ocular das crianças são cada vez mais discutidos pela comunidade médica.

O uso excessivo de celulares, tablets e computadores está associado ao aumento do risco de miopia em crianças. Entretanto, algumas mudanças simples na rotina podem ajudar a proteger a saúde ocular.

Para a Dra. Maria Beatriz Guerios, oftalmologista e especialista em glaucoma, proibir completamente o uso do celular nem sempre é uma alternativa realista. Como médica e mãe, ela acredita que o mais importante é ensinar hábitos saudáveis desde a infância.

“Sei que, no mundo em que vivemos, proibir o uso do celular não é uma realidade possível. Aqui em casa, prefiro pensar em hábitos”, explica.

Mas o que a ciência diz sobre a relação entre o uso de telas e a miopia infantil? Quanto tempo uma criança pode ficar no celular? E quais atitudes realmente ajudam a preservar a visão?

Uso excessivo de telas aumenta o risco de miopia infantil?

Sim. Estudos científicos identificaram uma associação entre o tempo de exposição às telas digitais e o aumento do risco de miopia em crianças e adolescentes.

A miopia é um erro refrativo que dificulta enxergar objetos distantes com nitidez. Ela geralmente se desenvolve durante a infância e pode progredir ao longo dos anos de crescimento.

Um estudo publicado em fevereiro de 2025 no JAMA Network Open analisou dados de 45 pesquisas, envolvendo 335.524 participantes. Os pesquisadores descobriram que cada hora adicional de exposição diária às telas estava associada a um aumento de 21% nas chances de apresentar miopia.

A análise também identificou uma elevação importante das chances de miopia conforme o tempo diário de tela aumentava de uma para quatro horas. Vale destacar que esses resultados representam associações estatísticas. Isso significa que o estudo não demonstra que o celular, isoladamente, seja responsável pelo desenvolvimento da miopia.

O risco envolve diferentes fatores, incluindo predisposição genética, atividades prolongadas de visão de perto e pouco tempo ao ar livre.

Por que passar muito tempo olhando para perto pode prejudicar a visão?

Quando uma criança utiliza o celular, lê um livro ou realiza atividades que exigem visão de perto, os olhos precisam ajustar o foco para enxergar os objetos com nitidez. Esse mecanismo é chamado de acomodação visual.

Embora seja um processo natural, manter os olhos concentrados em atividades próximas durante períodos prolongados pode provocar sintomas de fadiga visual, como desconforto, dor de cabeça e dificuldade temporária para mudar o foco.

Além disso, pesquisas relacionam determinados padrões de trabalho visual de perto ao desenvolvimento da miopia, especialmente quando combinados com pouco tempo de exposição à luz natural.

Por isso, uma das recomendações da Dra. Maria Beatriz é evitar que as crianças permaneçam horas seguidas olhando para o celular. “Eu incentivo pausas, levantar, olhar para longe, mudar o foco e dar um descanso para os olhos”, explica.

A regra 20-20-20 pode ajudar?

Uma estratégia frequentemente recomendada para reduzir o desconforto visual é a regra 20-20-20. A orientação é simples: a cada 20 minutos de atividade visual próxima, olhar durante pelo menos 20 segundos para algo que esteja a aproximadamente seis metros de distância.

Essas pausas ajudam a interromper períodos prolongados de esforço visual e podem aliviar sintomas de cansaço ocular.

Entretanto, é importante esclarecer que a regra 20-20-20 não é um tratamento comprovado para impedir o desenvolvimento ou a progressão da miopia.

Tempo ao ar livre: um dos hábitos mais importantes para prevenir a miopia infantil

Entre as recomendações para a saúde ocular das crianças, passar mais tempo ao ar livre merece atenção especial.

Diversos estudos mostram que crianças que permanecem mais tempo em ambientes externos apresentam menor risco de desenvolver miopia. Uma das explicações envolve a maior intensidade da luz natural, que influencia mecanismos relacionados ao crescimento e ao desenvolvimento dos olhos.

O International Myopia Institute recomenda incentivar aproximadamente duas horas diárias de atividades ao ar livre durante a infância, sempre considerando a idade e as condições individuais.

Essa recomendação tem respaldo científico principalmente para reduzir o risco de surgimento da miopia. Em crianças que já são míopes, a capacidade das atividades externas de desacelerar a progressão da doença é menos consistente.

Para a Dra. Maria Beatriz, esse é um dos hábitos mais importantes que os pais podem incentivar. “Algo que eu considero ainda mais importante é o tempo ao ar livre”, ressalta.

Brincar no parque, andar de bicicleta, praticar esportes e participar de atividades externas são maneiras de incorporar esse hábito à rotina.

A distância entre os olhos e o celular também importa?

Sim. A distância de visualização influencia a demanda de acomodação dos olhos e o conforto durante o uso dos dispositivos digitais. Quanto mais próximo o celular estiver do rosto, maior será o esforço necessário para manter a imagem em foco. Por isso, o hábito de utilizar o smartphone muito próximo dos olhos, especialmente durante períodos prolongados, deve ser desencorajado.

“Celular colado no rosto por longos períodos não é um bom hábito. Uma medida prática é incentivar a criança a manter o dispositivo a uma distância confortável, geralmente de pelo menos 30 centímetros, evitando aproximá-lo excessivamente do rosto. Adicionalmente, é importante observar a postura, a iluminação do ambiente e a necessidade de pausas”, alerta a oftalmologista.

O excesso de telas também pode causar olho seco e fadiga visual?

Além da associação com a miopia, o uso prolongado de dispositivos digitais pode provocar sintomas de desconforto ocular. Durante atividades que exigem muita concentração visual, como assistir a vídeos ou jogar no celular, a frequência do piscar pode diminuir e os movimentos das pálpebras podem se tornar incompletos.

Isso pode favorecer a instabilidade da película lacrimal e o aparecimento de sintomas como:

  • Ardência e sensação de areia nos olhos;
  • Vermelhidão;
  • Visão embaçada temporariamente;
  • Sensação de olhos cansados;
  • Dor de cabeça e desconforto visual.

Esses sintomas não significam necessariamente que a criança tenha uma doença ocular, mas, quando persistentes, merecem avaliação oftalmológica.

Quanto tempo de tela é recomendado para crianças?

As recomendações variam conforme a idade, o desenvolvimento e o contexto de utilização.

O tempo de tela seguro para os olhos das crianças depende da idade. A recomendação dos especialistas e da Sociedade Brasileira de Pediatra é que crianças menores de 2 anos de idade não devem ser expostas a nenhuma tela.

Entre 2 e 5 anos, o uso de telas não deve ultrapassar 1 hora por dia. Já as crianças de 6 a 10 anos podem usar os dispositivos eletrônicos até 2 horas por dia. Para a faixa etária 11 a 18 anos, o uso deve ser limitado a 3 horas por dia.

O uso de telas não deve substituir o tempo ao ar livre, o sono adequado e as brincadeiras importantes para o desenvolvimento infantil.

Como proteger a visão das crianças sem proibir completamente o celular?

A Dra. Maria Beatriz defende uma abordagem baseada na educação e na construção de hábitos saudáveis.

Na prática, algumas atitudes podem ajudar:

  1. Incentive pausas frequentes. Evite longos períodos ininterruptos de exposição às telas e estimule a criança a olhar para longe regularmente.
  2. Priorize atividades ao ar livre. Sempre que possível, reserve tempo diário para brincadeiras e atividades externas.
  3. Observe a distância do celular. Oriente a criança a não manter a tela excessivamente próxima dos olhos.
  4. Evite o uso prolongado de dispositivos antes de dormir. Estabeleça horários que preservem a qualidade e a duração do sono.
  5. Ofereça alternativas ao entretenimento digital. Esportes, brincadeiras, atividades culturais e momentos em família ajudam a equilibrar a rotina.
  6. Mantenha o acompanhamento oftalmológico. A avaliação da visão é importante para identificar alterações refrativas, incluindo a miopia, e orientar intervenções quando necessárias.

Miopia infantil: por que o diagnóstico precoce é importante?

A miopia não deve ser considerada apenas uma dificuldade para enxergar de longe. Quando surge precocemente, existe a possibilidade de progressão durante os anos de crescimento. Graus elevados de miopia estão associados a um risco maior de complicações oculares ao longo da vida, incluindo alterações da retina e glaucoma.

Atualmente, existem estratégias específicas para o controle da progressão da miopia infantil, que podem ser indicadas pelo oftalmologista conforme as características de cada paciente.

Por isso, crianças que aproximam excessivamente os objetos do rosto, apertam os olhos para enxergar de longe, reclamam de dificuldade para visualizar a lousa ou apresentam outros sinais de alteração visual devem passar por avaliação.

Saiba mais: Entenda melhor a relação da alta miopia com o Glaucoma nesse artigo em nosso blog: https://mariabeatrizguerios.com.br/2026/08/26/miopia-alta-pode-levar-ao-glaucoma-o-que-voce-precisa-saber/

O segredo não é apenas controlar as telas, mas construir hábitos saudáveis

O celular faz parte da realidade de muitas famílias. Entretanto, seu uso precisa ser acompanhado de orientações adequadas, especialmente durante a infância.

A ciência mostra que o tempo excessivo de tela está associado ao risco de miopia e que atividades ao ar livre desempenham um papel importante na proteção da saúde visual.

Para a Dra. Maria Beatriz Guerios, a orientação é clara: mais do que simplesmente proibir o celular, é preciso ensinar as crianças a desenvolver uma relação equilibrada com a tecnologia.

Pausas frequentes, distância adequada das telas, atividades externas e acompanhamento oftalmológico são medidas que podem fazer diferença para a saúde dos olhos.

Afinal, cuidar da visão infantil também significa ensinar hábitos que podem acompanhar a criança por toda a vida.

Artigo com supervisão- Dra. Maria Beatriz Guerios – CRM 102.665 / RQE 96.065

A Dra. Maria Beatriz Guerios é médica oftalmologista e especialista em glaucoma, dedicando-se ao diagnóstico, acompanhamento e tratamento da doença. Seu trabalho é focado na preservação da visão por meio de uma abordagem individualizada e baseada nas evidências científicas mais atuais.

Formada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), conta com especialização pela UNIFESP. Possui Título de Especialista pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e pela Associação Médica Brasileira (AMB).

O consultório fica na Vila Nova Conceição, zona sul da cidade de São Paulo. O atendimento conta com a experiência em Glaucoma da Dra. Maria Beatriz, além de exames de ponta e cirurgia a laser para o glaucoma.

Para agendar a sua consulta, por favor mande mensagem no whatsapp ou ligue para:

(11) 97859 1080

Referências

Ha A, Lee YJ, Lee M, Shim SR, Kim YK. Digital Screen Time and Myopia: A Systematic Review and Dose-Response Meta-Analysis. JAMA Netw Open. 2025;8(2):e2460026. doi:10.1001/jamanetworkopen.2024.600262.

The Role of Light in Refractive Development and Myopia: Evidence from Animal and Human Studies. Invest. Ophthalmol. Vis. Sci. 2025;66(15):5. https://doi.org/10.1167/iovs.66.15.5.Myopia Institute

Organização Mundial da Saúde (2019). Guidelines on Physical Activity, Sedentary Behaviour and Sleep for Children Under 5 Years of Age. Recomendações sobre exposição às telas na primeira infância.

MUNZER, T. et al. Digital Ecosystems, Children, and Adolescents: Policy Statement. Pediatrics, v. 157, n. 2, e2025075320, 2026.American Academy of Pediatrics

AMERICAN ACADEMY OF OPHTHALMOLOGY (AAO). Are Blue Light-Blocking Glasses Worth It? Eye Health.

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