Tratamento do glaucoma: inovações que vão transformar o cuidado em 2026

Tratamento do glaucoma: inovações que vão transformar o cuidado em 2026

O tratamento do glaucoma em 2026 conta com inovações que podem mudar o curso natural da doença.

O glaucoma é uma doença que leva à perda irreversível da visão, sendo uma das principais causas de cegueira em todo o mundo. A condição é silenciosa, já que os sintomas aparecem em fases mais avançadas da doença. Além disso, o glaucoma é progressivo e pode trazer inúmeras consequências para a vida cotidiana do paciente.

Mas a boa notícia é que, nos últimos anos, surgiram recursos que estão revolucionando o diagnóstico, o tratamento e o controle do glaucoma. “A perspectiva para os próximos anos é a combinação de abordagens e tecnologias que irão permitir intervenções mais precoces, tratamentos personalizados e mais eficazes”, comenta a Dra. Maria Beatriz Guerios, oftalmologista e especialista em glaucoma.

Como a Inteligência Artificial pode ajudar no tratamento do glaucoma

A Inteligência Artificial (IA) já faz parte de diversos setores, incluindo a medicina. No glaucoma, de forma mais específica, a IA transforma tanto o diagnóstico quanto o acompanhamento da doença. Alguns sistemas mais avançados conseguem analisar exames como a tomografia de coerência óptica (OCT), o campo visual e a retinografia com alta precisão.

“Na prática, isso significa uma acurácia maior para detectar alterações sutis, mesmo antes de o paciente apresentar sintomas. Portanto, podemos esperar não só diagnósticos mais precoces, como também maior previsibilidade na definição da progressão do glaucoma”, conta a Dra. Maria Beatriz.

Como monitorar a pressão intraocular (PIO) fora do consultório pode ajudar no tratamento do glaucoma

Um dos maiores desafios no acompanhamento do glaucoma é medir a pressão intraocular do paciente fora do consultório. Atualmente, a tonometria depende de aparelhos disponíveis na clínica e da ida do paciente para a realização do exame.

“Felizmente, há novas tecnologias em estudo que permitirão o monitoramento da PIO em casa. Acima de tudo, essas medições são cruciais para termos uma visão mais apurada da evolução da doença entre as consultas. Assim, também permitem a tomada de decisões sobre o tratamento de maneira mais assertiva”, aponta a oftalmologista.

Medicamentos de liberação prolongada: menos colírios, mais adesão

A Dra. Maria Beatriz destaca que o principal problema no tratamento do glaucoma com colírios é a adesão do paciente.

“A taxa de abandono do uso de colírios é alta e, com isso, a doença progride de forma silenciosa. Por isso, é essencial encontrar abordagens que reduzam a necessidade de uso frequente ou utilizem medicamentos mais potentes, com doses menores.”

Entre as novidades estão implantes intraoculares que liberam a medicação de forma contínua. Essa inovação pode reduzir ou até eliminar a necessidade do uso diário de colírios, além de melhorar a adesão ao tratamento.

Trabeculoplastia Seletiva a Laser (SLT) como primeira escolha

Até poucos anos atrás, a indicação de cirurgias para glaucoma era destinada apenas a pacientes que não respondiam aos colírios. Contudo, isso mudou com estudos que demonstraram que o tratamento a laser pode ser a primeira escolha.

As evidências vêm de um dos estudos mais relevantes na área: o LiGHT (Laser in Glaucoma and Ocular Hypertension). Trata-se do primeiro estudo desenhado e concluído com o objetivo de comparar a SLT e os colírios como primeira linha de tratamento.

De acordo com os resultados, a Trabeculoplastia Seletiva a Laser (SLT) mostrou-se tão eficaz quanto — ou até superior aos colírios — no controle do glaucoma a longo prazo. Outro achado importante foi que pacientes tratados com SLT desde o início apresentaram menor necessidade de cirurgias mais invasivas, como a trabeculotomia, além de menor incidência de cirurgia de catarata.

Leia aqui como funciona a Trabeculoplastia Seletiva a Laser.

Cirurgias minimamente invasivas (MIGS)

Além das cirurgias a laser, as cirurgias minimamente invasivas para glaucoma (MIGS) estão evoluindo rapidamente. Com isso, sua indicação pode ocorrer de forma mais precoce.

As MIGS apresentam vantagens em relação às técnicas tradicionais, como menor risco e recuperação mais rápida. Além disso, podem ser personalizadas e, em alguns casos, associadas à cirurgia de catarata.

Medicina personalizada: o tratamento certo para o paciente certo

O glaucoma é, na verdade, um conjunto de condições que causam danos irreversíveis ao nervo óptico. Embora o aumento da pressão intraocular seja o principal fator de risco, há casos em que a PIO está dentro dos níveis considerados normais.

Por isso, o futuro do tratamento envolve compreender melhor esses mecanismos. O foco deixa de ser exclusivamente a pressão intraocular e passa a considerar a melhor abordagem terapêutica para cada paciente.

Glaucoma como doença neurodegenerativa

Outra mudança importante é a compreensão do glaucoma como uma doença neurodegenerativa, ou seja, uma condição que leva à perda progressiva de neurônios.

“No glaucoma, essa degeneração afeta as células ganglionares da retina — responsáveis por enviar as informações visuais ao cérebro por meio do nervo óptico. Assim, sabemos hoje que o aumento da PIO é importante, mas não é o único fator de risco”, explica a Dra. Maria Beatriz.

Diante desse cenário, há diversos estudos em andamento que avaliam terapias voltadas à neuroproteção do nervo óptico e das células da retina.

Conclusão – Tratamento do glaucoma em 2026

“Infelizmente, o glaucoma ainda não tem cura. No entanto, as novas tecnologias podem auxiliar no diagnóstico precoce — antes da perda de campo visual. Além disso, os novos tratamentos e a personalização das terapias podem modificar o curso natural da doença.

Dessa forma, esperamos que, nos próximos anos, seja possível impedir a progressão do glaucoma, prevenindo a perda visual, com tratamentos cada vez mais seguros e personalizados”, finaliza a Dra. Maria Beatriz.

 Dra. Maria Beatriz Guerios  é Oftalmologista Geral e especialista em Glaucoma.

O consultório fica na cidade de São Paulo.

Para mais informações, ligue para (11) 97859- 1080

Matéria produzida pela jornalista Leda Maria Sangiorgio – MTB 30.714
É expressamente proibida a cópia parcial ou total do material, sob pena da Lei de Direitos Autorais, número 10.695. 

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