
Síndrome do olho seco em pacientes com glaucoma
A síndrome do olho seco em pacientes com glaucoma é bastante prevalente, podendo afetar de 30 a 70% dos pacientes. A principal causa é o uso contínuo de colírios para tratar o glaucoma, que possuem conservantes em suas fórmulas.
Ao longo dos anos, inúmeros estudos apontaram que o olho seco se manifesta em cerca de 60% dos pacientes, após o início do uso de colírios para controlar a pressão intraocular (PIO).
Segundo Dra. Maria Beatriz Guerios, oftalmologista especialista em glaucoma, a questão da síndrome do olho seco em pacientes com glaucoma é preocupante.
“Frequentemente, os pacientes que usam colírios com conservantes se queixam de dor, ardência, ressecamento ocular e coceira. Infelizmente, esses efeitos colaterais afetam a adesão ao tratamento, ou seja, o paciente fica mais propenso a abandonar o tratamento. Isso, por sua vez, aumenta o risco da progressão da perda visual”, comenta.
Estima-se que até 60% dos pacientes abandonam o tratamento com colírios devido aos efeitos colaterais.
Afinal, qual o problema dos colírios para tratar o glaucoma?
Em primeiro lugar, é crucial reforçar que o tratamento do glaucoma evita a progressão da doença, sendo essencial para preserva a visão. Atualmente, o uso de colírios ainda é a principal abordagem terapêutica para a maioria dos pacientes com glaucoma. Por outro lado, há uma série de desafios na adesão ao tratamento, sendo um deles os efeitos deletérios na superfície ocular.
“Desse modo, os efeitos negativos dos colírios na superfície ocular têm relação com substâncias presentes na fórmula, especialmente os conservantes. Esses excipientes são usados para manter a esterilidade dos colírios. Em contrapartida, o uso prolongado e contínuo desses medicamentos provoca danos na superfície ocular. Como resultado, pode ocorrer um desencadeamento da síndrome do olho seco em pacientes com glaucoma”, alerta Dra. Maria Beatriz.
Novas fórmulas podem prevenir a síndrome do olho seco em pacientes com glaucoma
A boa notícia é que hoje já existem alguns colírios para tratar o glaucoma isentos de conservantes. Além disso, há outros em desenvolvimento. Adicionalmente, estudos clínicos e observacionais demonstraram que esses colírios sem conservantes levaram à diminuição dos sinais e sintomas da síndrome do olho seco em pacientes com glaucoma, além de melhorar a adesão ao tratamento, sem comprometer o controle da PIO.
Cirurgias também podem ajudar a evitar a síndrome do olho seco em pacientes com glaucoma
Para além do uso de colírios isentos de conservantes, é possível optar por cirurgias para tratar o glaucoma, mesmo em casos iniciais. Um exemplo é a Trabeculoplastia Seletiva a Laser (SLT), para casos iniciais e moderados de glaucoma de ângulo aberto.
Em 2023, um dos mais importantes estudos sobre o tratamento do glaucoma, o LiGHT (laser in glaucoma and ocular hypertension), comparou o uso de colírios com a SLT como tratamento de primeira escolha no glaucoma de ângulo aberto. Os resultados mostraram que a cirurgia é tão efetiva ou talvez melhor que o uso dos medicamentos para controlar a doença em longo prazo.
Os resultados mostraram que 70% dos pacientes que passaram pela cirurgia permaneceram com a pressão intraocular controlada, sem necessidade de novos tratamentos, medicamentos ou cirúrgicos.
Leia mais sobre a Trabeculoplastia aqui.
Tratamento da síndrome do olho seco em pacientes com glaucoma
Finalmente, quando não é possível passar pela cirurgia ou usar colírios sem conservantes, é crucial tratar o olho seco. Para isso, existem algumas opções. Atualmente, a Luz Intensa Pulsada (IPL) tem se mostrado uma abordagem importante para amenizar os sintomas do olho seco em longo prazo.
O olho seco tem relação direta com um processo inflamatório crônico na superfície ocular e nas glândulas sebáceas das pálpebras. Dessa maneira, a IPL age nesse processo inflamatório, restabelecendo o funcionamento dessas glândulas. Após o tratamento, que inclui de 3 a 4 sessões, o funcionamento das glândulas de Meibômio volta ao normal, com redução importante dos sintomas, em longo prazo.
Leia mais aqui sobre o tratamento do olho seco com a luz intensa pulsada.
Conclusão
O glaucoma é uma doença crônica e progressiva, que pode levar a perda total e definitiva da visão. Portanto, o tratamento é crucial para prevenir a cegueira. Embora os colírios possam causar desconforto e levar ao desenvolvimento da síndrome do olho seco, são a principal abordagem terapêutica e a mais acessível a maioria da população.
“Sendo assim, é importante que o paciente relate ao seu oftalmologista os sinais e sintomas que podem estar associados ao olho seco, para que o médico possa prescrever o tratamento para amenizar essas manifestações, garantindo assim que o paciente não abandone o tratamento do glaucoma”, conclui Dra. Maria Beatriz.
Dra. Maria Beatriz Guerios é Oftalmologista Geral e especialista em Glaucoma, bem como faz parte de uma equipe altamente capacitada, com as mais diversas especialidades da oftalmologia.
O consultório fica na cidade de São Paulo, na Vila Nova Conceição (zona Sul).
Para mais informações, ligue para (11) 3846-0200
Matéria produzida pela jornalista Leda Maria Sangiorgio – MTB 30.714
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