Glaucoma é uma doença neurodegenerativa – Entenda o que isso significa

Glaucoma é uma doença neurodegenerativa – Entenda o que isso significa

O glaucoma é uma doença neurodegenerativa e isso é um conceito mais recente, porém bem estabelecido pelos últimos estudos na área. Mas o que muda a partir dessa nova visão sobre o glaucoma?

Segundo a oftalmologista Dra. Maria Beatriz Guerios, especialista em Glaucoma, essa perspectiva sobre a ligação do glaucoma com a neurodegeneração é crucial para o tratamento do glaucoma hoje e nos próximos anos. “Anteriormente, os danos no nervo óptico eram vistos como consequência apenas do aumento da pressão intraocular (PIO). Portanto, esse era, até então, o principal fator de risco para o glaucoma. Contudo, na medida em que os estudos avançaram, ficou evidente que há um forte componente neurodegenerativo ligado à doença”, comenta.

“Portanto, as pesquisas mais recentes apontam que o glaucoma é uma doença neurodegenerativa. Na prática, isso significa que precisamos ampliar o uso de recursos terapêuticos, além de colírios e cirurgias para controlar a pressão intraocular”, complementa a especialista.

Então, o glaucoma é doença neurodegenerativa?

Primeiramente, é importante entender o que é uma doença neurodegenerativa. Bem, são patologias que levam à perda progressiva de neurônios.

“As mais conhecidas, sem dúvidas, são as demências, especialmente a doença de Alzheimer e a doença de Parkinson. No caso do glaucoma, essa degeneração afeta as células ganglionares da retina – responsáveis por enviar as informações visuais dos olhos para o cérebro, por meio do nervo óptico”, explica Dra. Maria Beatriz.

Sendo assim, o aumento da pressão intraocular é um importante fator de risco, mas não é o único. Ou seja, o problema também reside na saúde dos neurônios envolvidos no processo visual.

O que reforça essas descobertas é que em alguns pacientes, os danos ocorrem mesmo quando a pressão intraocular estão dentro dos níveis normais. Isso acontece, especialmente, no glaucoma de pressão normal.

“Muitos pacientes com outros tipos de glaucoma continuam a apresentar perda do campo visual, apesar do tratamento. Dessa maneira, os estudos avaliaram quais os outros componentes que levam à morte das células da retina em pacientes com glaucoma”, conta a oftalmologista.

Como funciona o envolvimento do Sistema Nervoso Central no Glaucoma

Para muitos especialistas, o glaucoma sempre foi uma doença localizada no nervo óptico. Contudo, ao longo dos anos, estudos de neuroimagem e neuropatologia demonstraram que os pacientes com glaucoma apresentavam alterações no córtex visual e em outras áreas do cérebro. Portanto, essas descobertas foram cruciais para estabelecer que a degeneração se propaga por outras vias.

Em resumo, os principais pontos que sustentam essas descobertas são:

  • Problemas nas mitocôndrias (que funcionam com uma espécie de “usina de energia” das células);
  • Alterações no transporte de nutrientes para dentro das células;
  • Inflamação crônica;
  • Estresse oxidativo que gera danos importantes nas células.

Dessa forma, uma vez que esses mecanismos também estão presentes em outras doenças neurodegenerativas, é possível estabelecer que o glaucoma é uma doença neurodegenerativa.

Glaucoma é uma doença neurodegenerativa e uma neuropatia óptica

Isso posto, ficou claro que os pacientes com glaucoma também podem apresentar alterações nas áreas cerebrais responsáveis pela visão. Portanto, os danos não afetam apenas o nervo óptico, mas se espalham ao longo da via visual.

E por que isso é importante? Porque esse entendimento muda completamente o futuro do tratamento do glaucoma.

Em outras palavras, a partir da compreensão de que o glaucoma é uma doença também neurodegenerativa, podemos ampliar os recursos para tratar a doença. Para além dos colírios e das cirurgias, hoje já usamos terapias com foco na neuroproteção. Entre elas o uso de suplementos, por exemplo, como foco em antioxidantes para combater o estresse oxidativo.

Entre outras abordagens que estão em estudos temos:

  • Terapias neuroprotetoras (que tentam proteger os neurônios);
  • Estudos com fatores de crescimento neuronal;
  • Pesquisas com terapia gênica;
  • Estratégias voltadas à saúde mitocondrial.

Tratamento precoce e acompanhamento regular são as chaves para o controle do glaucoma

Apesar desse entendimento sobre o glaucoma também ter um forte componente neurodegenerativo, o mais importante ainda é o diagnóstico precoce. “Ou seja, quanto mais cedo o paciente recebe o diagnóstico e, consequentemente, faz o tratamento, menor o risco de perder a visão. Outro ponto crucial é o acompanhamento regular e, claro, o uso de outros recursos – como os suplementos antioxidantes”, reforça Dra. Maria Beatriz.

“Por fim, o diagnóstico do glaucoma não exige exames caros ou mais complexos. Durante as consultas de rotina, o oftalmologista consegue avaliar a pressão intraocular, a retina e o nervo óptico. Caso seja necessário, outros exames podem ser solicitados, mas em geral é possível suspeitar ou até mesmo confirmar a presença do glaucoma nessas consultas”, finaliza a especialista.

 

 Dra. Maria Beatriz Guerios  é Oftalmologista Geral e especialista em Glaucoma.

O consultório fica na cidade de São Paulo.

Para mais informações, ligue para (11) 97859- 1080

Matéria produzida pela jornalista Leda Maria Sangiorgio – MTB 30.714
É expressamente proibida a cópia parcial ou total do material, sob pena da Lei de Direitos Autorais, número 10.695. 

 

 

Fonte: https://www.tandfonline.com/doi/epdf/10.1080/17582024.2026.2637423?needAccess=true

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