
Tratamento do glaucoma com cannabis e derivados funciona?
O tratamento do glaucoma com cannabis e derivados é um assunto polêmico e objeto de vários estudos científicos. Por isso, hoje vamos falar um pouco mais sobre o tema.
Primeiramente, é importante esclarecer que os estudos avaliaram o uso clínico e controlado das substâncias ativas da planta. Entre eles o THC (tetrahidrocanabinol) e o CBD (canabidiol). No geral, os resultados não apoiam o uso dessas substâncias para tratamento do glaucoma.
O que dizem os estudos sobre o tratamento do glaucoma com cannabis
Segundo a oftalmologista Dra. Maria Beatriz Guerios, especialista em Glaucoma, existem muitos ensaios clínicos e revisões sistemáticas sobre o tratamento do glaucoma com cannabis. Contudo, não há evidência científica robusta, até o momento, que justifique o uso medicinal de cannabis como uma opção de tratamento para os danos glaucomatosos.
Na verdade, o tema é foco de estudos há muitos anos. Ao longo desse tempo, os resultados apontaram que o TCH reduz a pressão intraocular (PIO), porém de forma temporária, geralmente entre 3 a 4 horas.
“O efeito curto na diminuição da PIO exigiria várias doses ao dia, o que é inviável. Precisamos lembrar que se trata de uma substância psicoativa que pode causar efeitos em todo o organismo, como aumento da frequência cardíaca, queda da pressão arterial e alterações no sistema nervoso central, além da dependência química. Ademais, temos também a tolerância, que demandaria o aumento da dose”, aponta Dra. Maria Beatriz.
Portanto, o tratamento do glaucoma com cannabis exige mais estudos e não é uma terapia aprovada.
Tratamento do glaucoma com cannabis – Como a substância age no sistema visual
O interesse da comunidade científica sobre o tratamento do glaucoma com cannabis se baseia na ação do TCH e do CBD no sistema endocanabinoide.
“Trata-se de um sistema do corpo humano que ajuda a manter tudo em equilíbrio, descrito pela primeira vez em 1990. As pesquisas a respeito desse sistema apontam que ele está envolvido em muitos processos importantes do corpo humano, como a função cognitiva, a imunidade, controle da dor e até na saúde ocular”, comenta Dra. Maria Beatriz.
O olho contém receptores canabinoides, principalmente o CB1, abundante na retina, corpo ciliar e nervo óptico e o CB2, que participa da regulação da produção do humor aquoso, da circulação sanguínea no sistema visual, inflamação e na neuroproteção.
“O aumento da pressão intraocular é o principal fator de risco para o glaucoma. Portanto, o tratamento é voltado para o controle da PIO. Em relação à cannabis, os estudos mostraram que o THC ativa os receptores CB1, no corpo ciliar (estrutura envolvida na produção do humor aquoso). A partir desse processo, os pesquisadores observaram uma redução na secreção desse fluido intraocular”, comenta Dra. Maria Beatriz.
Adicionalmente, os canabinoides também parecem relaxar a malha trabecular, estrutura essencial para a drenagem do humor aquoso. Por fim, esses ativos da cannabis parecem melhorar o fluxo uveoescleral, que pode funcionar como uma caminho alternativo para a drenagem do humor aquoso.
Conclusão
A cannabis não é recomendada como tratamento para glaucoma devido a curta duração de seu efeito, efeitos colaterais e falta de evidência superior aos tratamentos convencionais.
“O glaucoma é uma das principais causas de cegueira irreversível em todo o mundo. Infelizmente, é uma doença silenciosa, ou seja, quando o paciente percebe alterações na visão significa que a doença já está em um estágio avançado. Portanto, os pacientes devem procurar os tratamentos aprovados – colírios e cirurgias – que são importantes meios de controle da doença e impedem novas perdas de campo visual”, alerta Dra. Maria Beatriz.
“A maioria dos casos de glaucoma tem ligação com histórico familiar da doença e com a idade. Por isso, quando há pessoas na família com diagnóstico, o paciente deve procurar o médico mais cedo. No caso de não ter parentes com glaucoma, o ideal é realizar os exames oftalmológicos anualmente, a partir dos 40 anos”, finaliza a oftalmologista.
Sobre a Dra. Maria Beatriz Guerios – CRM 102.665 / RQE 96.065
A Dra. Maria Beatriz Guerios é médica oftalmologista e especialista em glaucoma, dedicando-se ao diagnóstico, acompanhamento e tratamento da doença. Seu trabalho é focado na preservação da visão por meio de uma abordagem individualizada e baseada nas evidências científicas mais atuais.
Formada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), conta com especialização pela UNIFESP. Possui Título de Especialista pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e pela Associação Médica Brasileira (AMB).
O consultório fica na Vila Nova Conceição, zona sul da cidade de São Paulo. O atendimento conta com a experiência em Glaucoma da Dra. Maria Beatriz, além de exames de ponta e cirurgia a laser para o glaucoma.
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Fontes:
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