
Glaucoma em crianças e jovens – Tire suas dúvidas
O glaucoma em crianças e jovens adultos é chamado de glaucoma juvenil. Hoje, vamos falar um pouco mais sobre essa doença, que pode levar à perda irreversível da visão, como a colaboração da oftalmologista Dra. Maria Beatriz Guerios, especialista em Glaucoma.
Glaucoma atinge pessoas de todas as idade
Apesar de ser mais prevalente após os 40 anos, pessoas de todas as idades podem desenvolver algum tipo de glaucoma. Aliás, vale esclarecer que glaucoma é nome dado a uma série de condições que causam danos irreversíveis no nervo óptico, que podem resultar na perda definitiva da visão.
Sendo assim, quando o glaucoma surge a partir dos 5 anos é chamado de glaucoma juvenil, uma forma de glaucoma de ângulo aberto. O ângulo é um espaço entre a córnea e a íris, por onde o humor aquoso (líquido que preenche o olho) é drenado. O escoamento contínuo do humor aquoso é o que mantém a pressão intraocular em níveis normais.
Portanto, quando ocorre alguma alteração nesse ângulo, resulta em problemas na drenagem. Como consequência, a pressão intraocular aumenta e isso, por sua vez, causa os danos no nervo óptico.
O glaucoma de ângulo aberto é quando há problemas no escoamento, mas o humor aquoso ainda passa pela drenagem. Vale reforçar que o glaucoma de ângulo aberto é o mais prevalente.
Glaucoma em crianças e jovens é uma forma rara da doença.
Primeiramente, é importante dizer que o glaucoma juvenil é uma forma rara da doença. Contudo, é mais preocupante, pois os níveis da pressão intraocular (PIO) são mais altos e a perda campo visual é mais acentuada, em comparação com o glaucoma primário de ângulo aberto de início na idade adulta, após os 40 anos.
Quais os sinais do glaucoma juvenil?
Geralmente, não há sinais ou sintomas aparentes na maioria dos glaucomas. Contudo, no glaucoma em crianças e jovens há alguns sinais de alerta como dores de cabeça constantes e queixas sobre dificuldades para enxergar.
Contudo, apesar desses sintomas que podem se manifestar no glaucoma em crianças e jovens, o diagnóstico costuma acontecer quando já existe alguma perda do campo visual.
Como o médico descobre o glaucoma em crianças e jovens
Como falamos acima, raramente o diagnóstico do glaucoma em crianças e jovens acontece de forma precoce. Um dos fatores é que a população brasileira não tem o costume de realizar consultas oftalmológicas de rotina, especialmente na infância e adolescência.
Os pais só procuram o oftalmologista, na maioria dos casos, quando a escola reporta alguma dificuldade da criança nos estudos.
Em contrapartida, é essencial alertar os pais que as consultas oftalmológicas de rotina são cruciais não só para detectar o glaucoma, como também outras doenças oculares que são prevalentes na infância.
Durante uma consulta de rotina, o oftalmologista avalia todas as estruturas oculares da criança. Adicionalmente, são realizados exames como a tonometria, que mede a pressão intraocular e a fundoscopia, que analisa a retina. Sendo assim, esses exames podem indicar a presença do glaucoma e isso viabiliza o tratamento precoce.
Qual a causa do glaucoma juvenil?
Atualmente, há evidências de que o glaucoma juvenil tem origem com mutações genéticas que afetam a malha trabecular, tecido responsável pela drenagem do humor aquoso. Como consequência dessa mutação genética, há o aumento da pressão intraocular que resulta no desenvolvimento do glaucoma.
Por outro lado, um dos fatores de risco mais bem estabelecidos é a alta miopia. A estimativa é que 6 em cada 10 pacientes com glaucoma juvenil são míopes. Sem dúvidas, essa é uma informação que precisa ser disseminada, uma vez que os casos de miopia aumentam de forma assustadora em todo o mundo, inclusive no Brasil.
Por fim, em relação à prevalência, o glaucoma juvenil é mais comum em homens do que em mulheres.
Diferença entre o glaucoma congênito e o glaucoma em crianças e jovens
Bem, a principal diferença é que o glaucoma congênito está presente desde o nascimento da criança. Já a forma juvenil aparece após os 5 anos de idade. Raramente, o que pode ocorrer é o diagnóstico tardio da forma congênita.
Para além disso, é importante reforçar que antes de fechar o diagnóstico do glaucoma juvenil, devem ser descartadas outras formas da doença, como o glaucoma induzido por corticoides, traumas e lesões nos olhos.
O glaucoma em crianças e jovens leva a cegueira?
Depende. Em primeiro lugar, é importante entender que o glaucoma é uma doença que não tem cura. Também é uma doença crônica e progressiva, que pode levar à perda total da visão de forma definitiva.
Todavia, quando o tratamento ocorre nas fases iniciais ou moderadas, é possível impedir novas perdas visuais. O principal objetivo é controlar a pressão intraocular.
No glaucoma em crianças e jovens, o tratamento com colírios não costuma ter bons resultados no controle da pressão intraocular. Desse modo, normalmente o tratamento do glaucoma juvenil é cirúrgico.
Há várias técnicas cirúrgicas para tratar o glaucoma juvenil como a trabeculoplastia seletiva a laser (SLT), a trabeculectomia e implante de stents. O foco é controlar a pressão intraocular de forma mais consistente para impedir danos no nervo óptico.
Leia mais aqui sobre a Trabeculoplastia.
Tem como prevenir o glaucoma em crianças e jovens?
Infelizmente, o glaucoma juvenil não é prevenível. Mas, o que é possível fazer é adotar cuidados, como a consulta oftalmológica de rotina desde o nascimento, que podem ajudar no diagnóstico precoce da doença. Portanto, a recomendação dos oftalmologista é levar o bebê desde os primeiros meses de vida para consultas oftalmológicas de rotina.
Dra. Maria Beatriz Guerios é Oftalmologista Geral e especialista em Glaucoma.
O consultório fica na cidade de São Paulo.
Para mais informações, ligue para (11) 97859- 1080
Matéria produzida pela jornalista Leda Maria Sangiorgio – MTB 30.714
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