Remédios contraindicados para quem tem glaucoma – Quais são eles

Remédios contraindicados para quem tem glaucoma – Quais são eles

Há remédios contraindicados para quem tem glaucoma? Sim, existem alguns medicamentos que podem afetar a pressão intraocular. Dessa forma, quem tem glaucoma deve evitá-los.

Para falar mais sobre os remédios contraindicados para quem tem glaucoma, hoje vamos entrevistar Dra. Maria Beatriz Guerios, oftalmologista geral e especialista em glaucoma.

Glaucoma é uma das principais causas de perda da visão

“Primeiramente, é importante entender que o glaucoma é o termo usado para uma série de condições que causam danos no nervo óptico. Como resultado, o paciente perde a visão de forma definitiva. A principal causa das lesões no nervo óptico é o aumento da pressão intraocular (PIO). Dessa maneira, o tratamento do glaucoma visa à redução e ao controle da PIO”, explica Dra. Maria Beatriz.

Dito isso, o controle da pressão intraocular é crucial para prevenir a progressão do glaucoma. O tratamento da doença costuma envolver colírios e cirurgias. Contudo, vale esclarecer que a perda visual não pode ser revertida, ou seja, o tratamento impede nova perda do campo de visão.

Cuidados importantes para pacientes com Glaucoma

Assim como em outras doenças crônicas, há cuidados específicos, como entender quais são os remédios contraindicados para quem tem glaucoma. “Para além disso, alguns medicamentos podem levar a um glaucoma agudo de ângulo fechado. Ou seja, mesmo que a pessoa não tenha glaucoma, certos medicamentos aumentam o risco de um aumento repentino na pressão ocular. Quando isso ocorre, a pessoa pode perder a visão de forma muito rápida”, alerta Dra. Maria Beatriz.

De acordo com estudos, cerca de 30% dos casos de glaucoma agudo de ângulo fechado são resultado da automedicação.

Remédios contraindicados para quem tem glaucoma

Agora, com a ajuda da Dra. Maria Beatriz, vamos conhecer os principais remédios contraindicados para quem tem glaucoma.

1-Remédios para pressão alta

A hipertensão arterial (pressão alta) afeta cerca de 30% da população brasileira, especialmente pessoas acima dos 40 anos. O que talvez você não saiba é que a maior parte dos casos de glaucoma acontece em pessoas a partir da quarta década de vida. Ou seja, muitos pacientes com glaucoma podem ter também a hipertensão arterial.

Contudo, o uso de medicamentos para controlar a pressão arterial não costuma interferir no glaucoma. Em contrapartida, quando o paciente para de tomar certos anti-hipertensivos, pode ocorrer um aumento importante da pressão intraocular.

Veja quais medicamentos oferecem esse risco:

  • Propranolol
  • Atenolol
  • Bisoprolol
  • Carvedilol
  • Nebivolol
  • Metoprolol
  • Timolol

Recomendação para pacientes com glaucoma que são hipertensos

Acima de tudo, pacientes com glaucoma que também são hipertensos devem informar ao médico sobre o uso de medicamentos e solicitar orientação no caso da retirada de certos remédios que podem levar ao aumento da pressão intraocular.

2- Remédios para depressão

Infelizmente, a depressão é um transtorno mental cada vez mais prevalente entre a população em geral. A prevalência no Brasil é de 15,5%. Portanto, muitas pessoas usam antidepressivos no Brasil. “Dessa maneira, se um paciente com glaucoma recebe o diagnóstico de depressão ou já o possua no momento do diagnóstico do glaucoma, é crucial solicitar orientações do médico a respeito de possíveis interações e prejuízos no tratamento do glaucoma”, reforça Dra. Maria Beatriz.

Mas, por que antidepressivos são remédios contraindicados para quem tem glaucoma?

Primeiramente, nem todos os antidepressivos afetam o glaucoma. Por outro lado, os antidepressivos tricíclicos e tetracíclicos levam à dilatação das pupilas, chamada de midríase. Isso, por sua vez, pode empurrar a íris na direção do ângulo (espaço entre a córnea a íris), por onde ocorre o escoamento do humor aquoso.

“Nesses casos, podem ocorrer duas situações: o fechamento total do ângulo ou o estreitamento. Em ambas as situações, a pressão intraocular aumenta e pode causar danos irreversíveis no nervo óptico”, aponta Dra. Maria Beatriz.

Em conclusão: a recomendação é que o paciente com glaucoma converse com o psiquiatra ou médico prescritor dos medicamentos para depressão, informando previamente sua condição. Isso posto, o especialista poderá prescrever medicamentos mais seguros e sem efeitos no sistema visual.

3-Topiramato (anticonvulsivante e/ou estabilizador do humor)

O topiramato é um medicamento usado para tratar diversas condições, como: epilepsia, transtorno afetivo bipolar (TAB), enxaqueca, obesidade, tabagismo, alcoolismo, entre outras. Entretanto, embora seja um excelente fármaco, o topiramato aumenta a PIO.

Segundo evidências, o topiramato pode levar a uma crise de glaucoma agudo em pessoas com predisposição à doença. Geralmente, essas crises podem ocorrer no período de introdução do fármaco, especialmente nas três primeiras semanas de uso.

“Nesses casos, temos duas recomendações: a primeira é para quem já tem o glaucoma. O ideal é informar o médico prescritor sobre o glaucoma e avaliar o risco benefício. Para quem não tem glaucoma, é importante acompanhar sinais e sintomas de um possível glaucoma agudo”, comenta a oftalmologista.

Leia mais aqui sobre o glaucoma agudo.

 4- Colírios, pomadas, cremes e sprays nasais a base de corticoide

Os corticoides são fármacos cruciais nas mais diversas especialidades médicas. Por outro lado, o uso desses anti-inflamatórios precisa ser responsável e sempre com prescrição de um médico. Mas, muitos medicamentos que possuem corticoide na fórmula são vendidos sem receita médica, incentivando a automedicação.

Um dos problemas da automedicação com corticoides é o aumento da pressão intraocular de forma repentina. “Dessa maneira, gostaria de alertar a população que os produtos com maior poder de aumentar a pressão dentro do olho são os corticoides de uso tópico, principalmente colírios e sprays nasais. As pomadas e cremes, quando aplicados próximos aos olhos, também oferecem perigo”, ressalta Dra. Maria Beatriz.

5-Remédios para gripes, alergias e resfriados

O resfriado é uma das infecções virais mais comuns. Por isso, muitas pessoas se automedicam, sem a necessidade de procurar atendimento médico. Há também àquelas que são alérgicas e, portanto, também costuma usar medicamentos por conta própria.

Todavia, o que nem todo mundo sabe é que alguns medicamentos que não precisam de receita médica possuem em suas fórmulas a fenilefrina. Esse fármaco causa uma dilatação na pupila, que pode causar o fechamento completo do ângulo ou seu estreitamento.

“Como resultado, o paciente pode ter um glaucoma agudo ou ainda apresentar aumento importante da pressão intraocular. Ou seja, quem tem glaucoma deve ficar longe de medicamentos com esse princípio ativo”, comenta a especialista.

Os medicamentos para alergias, como asma, rinite e sinusite podem conter corticoides, além da fenilefrina. Por fim, também é preciso atenção às fórmulas que são compostas por cafeína, além de outros fármacos. A cafeína, em excesso, também pode elevar a pressão dentro dos olhos.

Remédios contraindicados para quem tem glaucoma é assunto de utilidade pública

“Como vimos ao longo da entrevista, nenhum medicamento é isento de riscos. Portanto, há efeitos colaterais e para quem tem glaucoma, isso é ainda mais importante. Por esses motivos, quem tem glaucoma sempre precisa conversar com o oftalmologista sobre o uso de medicamentos em geral”, finaliza Dra. Maria Beatriz.

Lembre-se: há remédios contraindicados para quem tem glaucoma. Ajude a compartilhar essa informação.

 Dra. Maria Beatriz Guerios  é Oftalmologista Geral e especialista em Glaucoma.

O consultório fica na cidade de São Paulo.

Para mais informações, ligue para (11) 97859- 1080

Matéria produzida pela jornalista Leda Maria Sangiorgio – MTB 30.714
É expressamente proibida a cópia parcial ou total do material, sob pena da Lei de Direitos Autorais, número 10.695. 

 

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