
Enxaqueca aumenta risco de desenvolver glaucoma, aponta estudo
A enxaqueca aumenta risco de desenvolver glaucoma, segundo um estudo recente. A pesquisa acompanhou mais de 1 milhão de pessoas durante 12 anos. Sendo assim, quem sofre de enxaqueca, com ou sem aura, apresenta 1,24 mais chance de desenvolver um glaucoma de ângulo aberto do que pacientes sem diagnóstico de enxaqueca.
Outro estudo, publicado no “International Journal of Ophthalmology” apontou que a enxaqueca causa alterações nas camadas da retina, que poderiam estar associadas a um risco maior de ter um glaucoma.
Portanto, como vimos, a enxaqueca aumenta o risco de desenvolver um glaucoma. E para falar um pouco mais sobre o assunto, hoje vamos entrevistar a oftalmologista Dra. Maria Beatriz Guerios, especialista em Glaucoma.
Enxaqueca atinge cerca de 40 milhões de brasileiros
Primeiramente, é importante dizer que a enxaqueca é uma das doenças mais incapacitantes de todo o mundo. A prevalência varia de acordo com diversos fatores. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a estimativa é que mais de 1 bilhão de pessoas são afetadas pela enxaqueca em todo o mundo. Já no Brasil, essa prevalência é de 15 a 20%, o que representa cerca de 30 a 40 milhões de pessoas.
“A enxaqueca é um tipo específico de dor de cabeça, sendo de origem neurológica. Em geral, a dor é intensa, recorrente e é descrita como latejante. Em muitos casos, há outros sintomas além da cefaleia, como enjoos, vômitos, sensibilidade à luz, ao som e alterações visuais. Normalmente, a enxaqueca atinge apenas um lado da cabeça e pode durar de 4 a 72 horas”, explica Dra. Maria Beatriz.
“Adicionalmente, a enxaqueca pode ser com ou sem aura. Nos casos da enxaqueca com aura, o paciente passa por outros sintomas, como luzes piscando, visão embaçada ou em túnel, bem como dificuldade transitória para falar, dormência e formigamentos”, complementa a especialista.
Por que a enxaqueca aumenta o risco de glaucoma?
Agora, vamos entender a relação da enxaqueca com o glaucoma. Embora essa associação não esteja totalmente esclarecida, há algumas hipóteses.
“A primeira é que a enxaqueca com aura causa uma hipersensibilidade no sistema nervoso autônomo. Isso, por sua vez, pode prejudicar o controle da pressão intraocular (PIO). Como o aumento da PIO é o principal fator de risco do glaucoma, essa pode ser uma explicação bastante importante para conectar a enxaqueca ao glaucoma”, comenta Dra. Maria Beatriz.
Outra explicação é que a enxaqueca pode causar vasoconstrição (estreitamento dos vasos sanguíneos) e isquemia transitória (falta de circulação nos vasos). Sendo assim, essas condições podem causar danos no nervo óptico, levando à morte das células nervosas por falta de oxigenação, condição essa irreversível. Nesses casos, a pressão intraocular pode ser normal, levando ao Glaucoma de Pressão Normal”, alerta a oftalmologista.
Glaucoma não causa sintomas nas fases iniciais
Um dos principais problemas do glaucoma é que nas fases iniciais não há sinais ou sintomas aparentes. Portanto, quando o paciente percebe alguma alteração na visão, a doença já avançou. Dessa forma, é crucial entender quais são os fatores de risco e procurar um oftalmologista.
“Uma vez que há evidências de que a enxaqueca aumenta o risco de desenvolver glaucoma, também é importante que pessoas com essa condição procurem um oftalmologista mais cedo, para exames de rotina. Felizmente, o tratamento para o glaucoma pode impedir a progressão da doença, ou seja, pode prevenir a perda da visão”, aponta Dra. Maria Beatriz.
“Adicionalmente, em relação ao Glaucoma de Tensão Normal, mais comum em pessoas com enxaqueca, precisamos lembrar que a pressão intraocular costuma estar dentro dos parâmetros normais. Dessa forma, nessa população, pode ser necessário realizar exames adicionais, como uma Tomografia de Coerência Óptica (OCT), entre outros”, finaliza a especialista.
Dra. Maria Beatriz Guerios é Oftalmologista Geral e especialista em Glaucoma.
O consultório fica nos Jardins, na cidade de São Paulo.
Para mais informações, ligue para (11) 3846-0200
Matéria produzida pela jornalista Leda Maria Sangiorgio – MTB 30.714
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