
Glaucoma Primário de Ângulo Aberto – O que você precisa saber
O glaucoma primário de ângulo aberto (GPAA) é o tipo mais comum de glaucoma, correspondendo a cerca de 90% dos casos. Infelizmente, o GPAA não causa sintomas e sinais nas fases iniciais da doença. Sendo assim, a maioria dos pacientes só descobre a doença quando ao perceber alguma alteração na visão.
Para falar um pouco mais sobre o glaucoma primário de ângulo aberto, hoje vamos entrevistar Dra. Maria Beatriz Guerios, oftalmologista geral e especialista em glaucoma.
Glaucoma é uma das principais causas de cegueira em todo o mundo
Primeiramente, é importante dizer que o glaucoma é uma das principais causas de cegueira irreversível em todo o mundo. Como a idade é um importante fator de risco, estima-se um aumento importante dos casos nos próximos anos, devido ao envelhecimento da população.
Segundo a Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG), há cerca de 2,5 milhões de pessoas com glaucoma no Brasil. Ou seja, a doença afeta cerca de 2% da população acima dos 40 anos. No mundo, a estimativa de prevalência é de 80 milhões de pessoas com glaucoma. Infelizmente, esse número deve aumentar para 111,8 milhões de casos até 2040.
Glaucoma Primário de Ângulo Aberto pode levar à perda silenciosa da visão
De acordo com Dra. Maria Beatriz, glaucoma é o termo usado para se referir a uma série de condições que causam danos no nervo óptico. Infelizmente, essas lesões são irreversíveis. Portanto, a perda visual é definitiva. Em geral, essas lesões têm como causa o aumento da pressão intraocular (PIO).
“Adicionalmente, é importante esclarecer que existem várias classificações para o glaucoma, de acordo com a causa e outras características, como o ângulo aberto e o ângulo fechado. Também temos os glaucomas primários, os glaucomas secundários e o glaucoma congênito, quando a criança nasce com a doença”, explica a especialista.
Porém, hoje vamos direcionar nosso conhecimento sobre o glaucoma primário de ângulo aberto.
Afinal, o que é ângulo?
Inicialmente, é crucial conhecer melhor a anatomia do olho humano para entender o glaucoma. A estrutura do olho é bastante complexa, mas vamos focar naquelas envolvidas no glaucoma.
As partes do globo ocular envolvidas no glaucoma são a íris, a pupila, a malha trabecular, a retina e o nervo óptico.
“O globo ocular é composto de várias camadas. A córnea é a camada da frente do olho, cuja principal função é focar a luz que entra pela pupila e vai para a retina. A pupila fica no centro da íris, a parte colorida dos olhos, localizada abaixo da córnea. Na junção da íris com a pupila se forma um ângulo, uma espécie de espaço livre”, explica Dra. Maria Beatriz.
Nessa região do ângulo, temos a malha trabecular, que consiste em um tecido que possui canais interconectados. De uma forma mais didática podemos comparar a malha trabecular a uma espécie de “peneira”.
“Trata-se de uma estrutura crucial para manter o escoamento do humor aquoso, líquido que preenche o globo ocular. Desse modo, é justamente essa drenagem que mantêm a pressão intraocular equilibrada”, complementa a oftalmologista.
“Contudo, algumas pessoas apresentam alterações nesse ângulo, que podem prejudicar essa drenagem. A partir disso, a pressão intraocular aumenta resultando em danos no nervo óptico, levando ao glaucoma. No caso do glaucoma primário de ângulo aberto, o fechamento não é completo. Dessa forma, a classificação refere-se ao fechamento parcial do canal de drenagem do humor aquoso”, reforça Dra. Maria Beatriz.
Fatores de risco para o glaucoma primário de ângulo aberto
O GPAA tem um forte componente genético. Portanto, pessoas com parentes de primeiro grau (irmãos, pais e avós) que tenham glaucoma, têm 9 vezes mais risco de ter um glaucoma do que pessoas sem histórico familiar de glaucoma.
A idade é outro importante fator de risco, já que a maioria dos casos de glaucoma primário de ângulo aberto atingem pessoas com mais de 40 anos. Adicionalmente, podemos citar outros fatores de risco como alta miopia e fatores étnicos, já que o glaucoma costuma ser mais prevalente em pessoas afrodescentes e de origem asiática.
Diagnóstico e tratamento
Como dissemos no início do texto, o glaucoma primário de ângulo aberto não causa sinais e sintomas nas fases iniciais. Por isso, é muito comum haver um atraso importante no diagnóstico.
“De qualquer maneira, há vários exames para fechar o diagnóstico do glaucoma, especialmente a tonometria, que mede a PIO; a gonioscopia, para avaliar o ângulo, bem como exames de imagem do nervo óptico e da retina. Alguns pacientes podem precisar de outros exames mais específicos, mas isso sempre é tratado de forma individual”, comenta a médica.
Leia aqui como funcionam os exames para diagnóstico do Glaucoma.
Quanto ao tratamento, há várias opções, desde colírios até cirurgias a laser, que podem controlar a pressão intraocular. O objetivo de todos os tratamentos é impedir novos danos no nervo óptico. Dessa forma, conseguimos prevenir a progressão da doença e, como consequência, a perda total da visão”, finaliza Dra. Maria Beatriz.
Dra. Maria Beatriz Guerios é Oftalmologista Geral e especialista em Glaucoma.
O consultório fica nos Jardins, na cidade de São Paulo.
Para mais informações, ligue para (11) 97859- 1080
Matéria produzida pela jornalista Leda Maria Sangiorgio – MTB 30.714
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