Tratamento da Síndrome do Olho Seco – Como funciona

Tratamento da Síndrome do Olho Seco – Como funciona

O tratamento da síndrome do olho seco, condição que afeta de a 5 a 50% da população acima dos 50 anos, depende de vários fatores. Sendo assim, pode envolver medicamentos, medidas de limpeza dos olhos ou ainda opções mais avançadas, como a Luz Intensa Pulsada (IPL).

Para falar um pouco mais sobre o tratamento da síndrome do olho seco, hoje vamos entrevistar a oftalmologista geral Dra. Maria Beatriz Guerios, que também é especialista em glaucoma.

O que é Síndrome do Olho Seco?

Primeiramente, é importante esclarecer que a secura ocular não é a mesma coisa que a síndrome do olho seco.

“Na verdade, ter a sensação de estar com ressecamento no olho é um sintoma muito comum no dia a dia da população. Dessa forma, precisamos entender que a secura ocular pode ocorrer após longas horas em frente às telas, em dias mais secos ou em ambientes climatizados, por exemplo”, explica Dra. Maria Beatriz.

“Agora, a síndrome do olho seco, também chamada de ceratoconjuntivite seca, é uma patologia que atinge a superfície ocular. Com isso, um dos sintomas é a secura ocular, mas temos várias outras manifestações, como vermelhidão, coceira, ardência, sensação de ter areia nos olhos, lacrimejamento e visão turva”, comenta a especialista.

Segundo estudos, a prevalência da síndrome do olho seco pode variar. Mas, no geral estima-se que de 5 a 50% das pessoas, a partir dos 50 anos, apresentam a doença. Para além disso, o olho seco costuma afetar mais mulheres do que homens.

Outros grupos de risco são pacientes com glaucoma – a doença da superfície ocular pode afetar aproximadamente 30% a 70% dos pacientes com glaucoma e para a associação com exposição crônica ao cloreto de benzalcônio (BAK). Adicionalmente, pessoas que usam lentes de contato também correm um risco maior de ter a síndrome do olho seco (7 em cada 10 usuários desenvolvem a condição).

Tipos de síndrome do olho seco – O que você precisa saber

Há dois tipos de síndrome do olho seco: a forma evaporativa e a por deficiência aquosa. Contudo, para entender cada uma delas, precisamos compreender o funcionamento da superfície ocular e anexos palpebrais.

A superfície ocular é composta pelas pálpebras e pela córnea (que pode ser comparada à tampa de um relógio). Ambas as estruturas protegem os olhos de lesões, infecções e das demais situações que possam causar danos na parte externa dos olhos. Adicionalmente, nas pálpebras existem glândulas sebáceas, que produzem a parte oleosa da lágrima, bem como as glândulas lacrimais, que produzem a parte aquosa da lágrima.

Afinal, do que a lágrima é feita?

Ao contrário do que se possa pensar, a lágrima, ou melhor, o filme lacrimal, tem um papel fundamental na saúde da superfície ocular. Apesar de ficar mais visível quando choramos, a liberação da lágrima é constante. Os principais objetivos do filme lacrimal são manter a nutrição e a lubrificação da superfície ocular.

A lágrima é composta de três camadas: a aquosa, a mucosa e a gordurosa. Todas elas são importantes para manter a superfície ocular saudável. Sendo assim, quando ocorrem problemas nas glândulas que produzem a parte oleosa e a parte aquosa, a pessoa pode desenvolver a síndrome do olho seco.

Síndrome do Olho Seco Evaporativa

A forma evaporativa é a mais prevalente e ocorre quando há alterações no funcionamento das glândulas sebáceas das pálpebras, chamadas de glândulas de Meibômio. “A disfunção nas glândulas meibomianas acarreta problemas na qualidade e na quantidade do sebo produzido por essas estruturas. A partir disso, o filme lacrimal evapora mais rápido, causando os sintomas do olho seco, como o ressecamento ocular”, comenta Dra. Maria Beatriz.

Estima-se que mais de 85% dos casos de doença do olho seco apresentem algum componente evaporativo, frequentemente relacionado à disfunção das glândulas de Meibômio.

 Síndrome do Olho Seco por deficiência aquosa

Agora vamos falar sobre a síndrome do olho seco por deficiência aquosa. Nesses casos, que são a minoria, o olho seco tem relação com o mau funcionamento das glândulas lacrimais. Estima-se que cerca de 10% a 15% dos pacientes com doença do olho seco apresentem exclusivamente a forma por deficiência aquosa. Muitos pacientes, entretanto, apresentam uma combinação dos componentes aquoso e evaporativo.

“Normalmente, essa forma do olho seco afeta pacientes com a síndrome de Sjögren, uma doença autoimune. Dessa forma, temos uma deficiência na produção da parte aquosa da lágrima. Normalmente, podemos observar a obstrução dos ductos das glândulas lacrimais ou ainda uma redução na produção da parte aquosa”, diz a oftalmologista.

Tratamento para a síndrome do olho seco

Inicialmente, é crucial que o paciente que apresenta a secura ocular, de forma persistente, procure um oftalmologista. Durante a consulta, o médico vai realizar uma série de exames para avaliar a superfície ocular. Com isso, será possível determinar se o sintoma é passageiro ou se trata de uma manifestação da síndrome do olho seco.

A partir da confirmação do diagnóstico, o oftalmologista indicará o melhor tratamento da síndrome do olho seco.

Tratamento do olho seco pode ser clínico

O tratamento da síndrome do olho seco pode ser clínico, ou seja, sem cirurgias ou outras abordagens invasivas.

“De acordo com o diagnóstico e com a intensidade das manifestações, traçamos um plano de tratamento. Portanto, nos casos mais leves, podemos prescrever colírios de lágrimas artificiais e lubrificantes, além de algumas mudanças de hábitos, dependendo do perfil do paciente e dos fatores de risco em questão”, reforça Dra. Maria Beatriz.

“Os usuários das lentes de contato, por exemplo, precisam seguir algumas recomendações específicas. Já quem usa muito as telas, também precisa reduzir o tempo de tela, além de adotar outros cuidados. Por outro lado, se o paciente tem glaucoma e desenvolveu a síndrome do olho seco, precisamos adotar outra abordagem”, completa a especialista.

Leia mais sobre a relação do Glaucoma com o Olho Seco.

Tratamento com Luz Pulsada

De acordo com a evolução e a gravidade dos sintomas, podemos pensar em tratamentos com novas tecnologias, como a Luz Intensa Pulsada (IPL).

“Normalmente, a síndrome do olho seco evaporativa tem associação com uma inflamação crônicas nas glândulas sebáceas palpebrais. Logo, os colírios só amenizam alguns sintomas, mas não tratam a origem do olho seco, que é esse processo inflamatório crônico”, conta Dra. Maria Beatriz.

A boa notícia é que, nos quadros mais severos do olho seco ou em pacientes apresentam sintomas que afetam a visão e a qualidade de vida, é possível indicar o tratamento da síndrome do olho seco com a Luz Intensa Pulsada (IPL).

“A IPL atua diretamente na inflamação, restabelecendo a função das glândulas sebáceas. O tratamento cauteriza os vasos que alimentam a inflamação, amolece as secreções endurecidas e elimina a proliferação de micro-organismos que agravam o quadro inflamatório”, comenta Dra. Maria Beatriz.

Após o tratamento, que inclui de 3 a 4 sessões, o funcionamento das glândulas de Meibômio volta ao normal. A partir disso, ocorre uma melhora na qualidade do filme lacrimal, com redução importante dos sintomas, em longo prazo.

Já o tratamento da síndrome do olho seco por deficiência aquosa é diferente e depende do tratamento da causa primária. A abordagem terapêutica envolve mudança de hábitos, bem como o uso de alguns medicamentos e de colírios para combater os sintomas.

Tratamento é importante para prevenir problemas na córnea

“O olho seco, sem tratamento, pode evoluir e causar danos importantes na córnea, como úlceras e cicatrizes. Portanto, na presença dos sintomas, o paciente deve procurar um oftalmologista para diagnóstico e iniciar o tratamento assim que possível”, conclui Dra. Maria Beatriz.


Artigo com supervisão- Dra. Maria Beatriz Guerios – CRM 102.665 / RQE 96.065

A Dra. Maria Beatriz Guerios é médica oftalmologista e especialista em glaucoma, dedicando-se ao diagnóstico, acompanhamento e tratamento da doença. Seu trabalho é focado na preservação da visão por meio de uma abordagem individualizada e baseada nas evidências científicas mais atuais.

Formada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), conta com especialização pela UNIFESP. Possui Título de Especialista pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e pela Associação Médica Brasileira (AMB).

O consultório fica na Vila Nova Conceição, zona sul da cidade de São Paulo. O atendimento conta com a experiência em Glaucoma da Dra. Maria Beatriz, além de exames de ponta e cirurgia a laser para o glaucoma.

Para agendar a sua consulta, por favor mande mensagem no whatsapp ou ligue para:

(11) 97859 1080

Atualizado 17.09.2026


Fontes

GOLDSTEIN, M. H.; SILVA, F. Q.; BLENDER, N.; TRAN, T.; VANTIPALLI, S. Ocular benzalkonium chloride exposure: problems and solutions. Eye. 2022;36(2):361-368. doi:10.1038/s41433-021-01668-x

KOLKO, M. Rethinking Dry Eye and Ocular Surface Disease in Glaucoma: Pathophysiology, Diagnosis, and Management. Journal of Glaucoma. 2026;35(7):455-463. doi:10.1097/IJG.0000000000002729.

STAPLETON, F.; ALVES, M.; BUNYA, V. Y.; et al. TFOS DEWS II Epidemiology Report. The Ocular Surface. 2017;15(3):334-365. doi:10.1016/j.jtos.2017.05.003.

LEMP, M. A.; CREWS, L. A.; BRON, A. J.; Foulks, G. N.; Sullivan, B. D. Distribution of aqueous-deficient and evaporative dry eye in a clinic-based patient cohort: a retrospective study. Cornea. 2012;31(5):472-478. doi:10.1097/ICO.0b013e318225415a.

SHEPPARD, J. D.; NICHOLS, K. K. Dry Eye Disease Associated with Meibomian Gland Dysfunction: Focus on Tear Film Characteristics and the Therapeutic Landscape. Ophthalmology and Therapy. 2023;12:1397-1418. doi:10.1007/s40123-023-00669-1.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *