Tratamento integral do Glaucoma: o papel da alimentação, do metabolismo, sistema vascular e mitocôndrias

Tratamento integral do Glaucoma: o papel da alimentação, do metabolismo, sistema vascular e mitocôndrias

Hoje, o tratamento integral do Glaucoma consiste em olhar para o paciente de forma integral. Ou seja, tratar a doença vai muito além de controlar a pressão intraocular. A razão é que inúmeros estudos já comprovaram que a proteção das células da retina é crucial para impedir a progressão da doença.

Mas, como é possível proteger as células nervosas da retina e o do nervo óptico? Os estudos mostraram que o glaucoma é uma doença complexa, que sofre influência de vários aspectos, como a alimentação, a saúde vascular, além das mitocôndrias e processo inflamatório.

Segundo a oftalmologista Dra. Maria Beatriz Guerios, especialista em Glaucoma, essa nova visão sobre o Glaucoma foi o que a motivou a realizar a Pós-Graduação em Nutrologia, pela Universidade de São Paulo (USP).

“Sem dúvidas, já está mais do que comprovado que o glaucoma é uma doença que envolve múltiplos fatores. Portanto, não basta pensarmos apenas no controle da pressão intraocular. Precisamos tratar o paciente de forma holística, olhar para a saúde sistêmica e identificar fatores que podem interferir no tratamento do glaucoma ou ainda acelerar a progressão da doença”, afirma a especialista.

O papel das mitocôndrias no Glaucoma – O que você precisa saber

Que tal voltar um pouco no tempo, ou melhor, para as aulas de biologia? Isso é importante para entender o papel das mitocôndrias no glaucoma.

As mitocôndrias são conhecidas como as “usinas de energia” das células. Elas transformam os nutrientes que comemos em energia, permitindo que as células funcionem corretamente. No olho, especialmente no nervo óptico e nas células da retina, a necessidade de energia é muito alta. Por isso, essas células são extremamente sensíveis quando as mitocôndrias não funcionam bem.

Afinal, qual a relação disso com o glaucoma?

“Ao longo dos anos, estudos importantes mostraram que em pacientes com glaucoma, as mitocôndrias produzem menos energia, geram mais substâncias tóxicas (radicais livres) e entram em um processo de desgaste de forma mais precoce. Sendo assim, todos esses fatores contribuem para a morte das células do nervo óptico, levando à perda progressiva da visão”, explica Dra. Maria Beatriz.

Metabolismo, inflamação e glaucoma: um ciclo silencioso

Agora vamos falar um pouco sobre a relação do metabolismo, da inflamação e do glaucoma. Primeiramente, é importante entender que o metabolismo do corpo é um conjunto de processos que transformam tudo o que comemos e respiramos em energia e materiais para o corpo crescer, se manter saudável e funcionar todos os dias.

Contudo, o metabolismo pode ser afetado quando temos uma alimentação rica em alimentos ultraprocessados, rica em açúcar, quando estamos acima do peso e quando desenvolvemos resistência à insulina. Tudo isso pode levar a um estado inflamatório crônico. Essa inflamação, por sua vez, prejudica muito o funcionamento das mitocôndrias, além de aumentar o estresse oxidativo e acelerar o envelhecimento das células do nervo óptico.

Adicionalmente, quando ocorrem esses danos nas mitocôndrias, podem ocorrer justamente a ativação dessa inflamação sistêmica. Portanto, cria-se um ciclo viciosos: mais inflamação, menos energia e muitos danos celulares. Vale esclarecer que esse mecanismo foi descritos em vários artigos científicos.

Saúde vascular também é importante para o controle do Glaucoma

Outro ponto fundamental no tratamento do glaucoma é a saúde vascular. Precisamos considerar que o nervo óptico depende de um fluxo contínuo de sangue para receber oxigênio, nutrientes e substâncias que combatem os radicais livres, chamadas de antioxidantes. Portanto, quando há alterações na circulação sanguínea, há um importante comprometimento das células nervosas da retina e do nervo óptico”, esclarece Dra. Maria Beatriz.

“O que poucas pessoas sabem é que as células dos vasos sanguíneos também dependem de mitocôndrias saudáveis. Sendo assim, quando essas mitocôndrias falham, a circulação piora. Como resultado, há redução da oxigenação do nervo óptico e isso acelera a progressão do glaucoma”, conta a especialista.

Nutrição e glaucoma: qual a relação?

Sabe aquela frase famosa: você é o que você come? Na verdade, a alimentação pode impactar diretamente no metabolismo, na inflamação, na saúde das mitocôndrias e na circulação sanguínea.

Ao longo dos anos, inúmeros estudos apontaram que uma alimentação saudável, rica em frutas, vegetais, fibras, vitaminas antioxidantes, compostos naturais com poder anti-inflamatório tem relação direta com um risco menor de desenvolver doenças neurodegenerativas, como o glaucoma.

Por outro lado, dietas ricas em açúcar, alimentos processos e industrializados e gordura favorecem a inflamação, o estresse oxidativo e a disfunção mitocondrial. Desse modo, podemos concluir que uma nutrição adequada pode ser um fator de proteção adicional para a saúde ocular.

Tratamento integral do glaucoma: O que significa na prática?

“O futuro do manejo do glaucoma é claro: é preciso muito mais do que controlar a pressão intraocular. Hoje, a abordagem envolve o controle metabólico, redução da inflamação, melhora da saúde vascular e uma boa saúde mitocondrial. Nesse aspecto, a alimentação tem um papel crucial. Isso posto, devemos orientar o paciente a adotar uma dieta balanceada e podemos também usar certos suplementos para reforçar um bom estado nutricional”, encerra Dra. Maria Beatriz.

Dra. Maria Beatriz Guerios  é Oftalmologista Geral e especialista em Glaucoma.

O consultório fica na cidade de São Paulo.

Para mais informações, ligue para (11) 97859- 1080

Matéria produzida pela jornalista Leda Maria Sangiorgio – MTB 30.714
É expressamente proibida a cópia parcial ou total do material, sob pena da Lei de Direitos Autorais, número 10.695. 

 

 

 

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