Impacto dos vídeos curtos na saúde ocular – O que você precisa saber

Impacto dos vídeos curtos na saúde ocular – O que você precisa saber

O impacto dos vídeos curtos na saúde ocular foi tema de discussão, em um congresso internacional de oftalmologia, que aconteceu recentemente. Na verdade, oftalmologistas do mundo todo têm emitido alertas sobre os possíveis efeitos negativos do consumo excessivo de vídeos curtos, como os Reels do Instagram e os vídeo do TikTok, na saúde dos olhos — especialmente entre crianças e adolescentes.

Durante o congresso, os oftalmologistas destacaram o aumento expressivo de casos de síndrome do olho seco, progressão da miopia, estrabismo de início precoce e cansaço visual digital.

Telas reduzem piscadas em até 50%

Segundo Dra. Maria Beatriz Guerios, oftalmologista geral e especialista em Glaucoma, esse formato de conteúdo “prende” o olhar do usuário. Desse modo, a pessoa esquece de piscar e essa redução nas piscadas pode chegar em até 50% durante o uso das telas, em específico para assistir vídeos nessas plataformas.

“Portanto, isso favorece a evaporação das lágrimas e contribui para o desenvolvimento do olho seco. Além disso, temos notado uma maior número de pacientes com instabilidade no grau dos óculos até os 30 anos, algo que décadas atrás estabilizava por volta dos 21”, comenta a especialista.

No congresso, durante os debates sobre o assunto, os oftalmologistas chamaram esse fenômeno de “Reel Vision Syndrome”, ou “síndrome da visão do Reel”. “Na verdade, essa síndrome é resultado de uma combinação de luz artificial, estímulos visuais rápidos e foco prolongado da visão de perto. Dessa maneira, esses fatores provocam cansaço visual, dores de cabeça e podem gerar danos permanentes na visão”, comenta Dra. Maria Beatriz.

Miopia é outra preocupação

A miopia ou a progressão do grau a miopia também são consequências do uso excessivo de telas. Mas, nesse caso, não está relacionado especificamente com vídeos curtos, mas com o uso em geral.

Impacto dos vídeos curtos coloca milhões de pessoas em risco

O uso de dispositivos eletrônicos é parte da sociedade moderna e pode ser impensável ficar sem eles. Para além disso, há bilhões de usuários nessas plataformas e redes sociais, incluindo crianças e jovens. Desse modo, todas as pessoas que passam longas horas em frente às telas estão em risco para problemas na saúde visual.

O tamanho do problema: bilhões de usuários expostos

  • TikTok: 1,59 bilhão de usuários.
  • Instagram: 2 bilhões de usuários.
  • Pelo menos 726,8 milhões interagem com Reels.
  • Usuários passam quase 50% do tempo no Instagram assistindo a Reels.
  • Em 2022, foram 17,6 milhões de horas por dia assistindo a Reels.
  • No TikTok, usuários passaram 197,8 milhões de horas diárias assistindo vídeos.
  • Reels são reproduzidos 140 bilhões de vezes por dia no Facebook e Instagram.

Como se divertir e proteger os olhos

Os Reels podem ser divertidos e rápidos, mas seus efeitos sobre os olhos — e o cérebro — podem ser profundos e duradouros.

Por isso, é crucial adotar alguns cuidados que podem minimizar esses efeitos na saúde ocular.

Veja algumas dicas para reduzir o impacto dos vídeos curtos na saúde ocular

  • Use a regra 20-20-20

A cada 20 minutos em frente às telas, olho para alho a 20 pés de distância (6 metros), por pelo menos 20 segundos.

  • Lembre-se de piscar

O usuário deve prestar atenção em si mesmo e lembrar sempre de piscar mais vezes, especialmente quando sentir os olhos mais secos ou ardência. Piscar voluntariamente ajuda a lubrificar a superfície ocular.

  • Ajuste a iluminação

Use os recursos dos dispositivos eletrônicos para reduzir a emissão da luz das telas. Falando em luz, ilumine os ambientes durante o uso das telas.

 

Dra. Maria Beatriz Guerios  é Oftalmologista Geral e especialista em Glaucoma.

O consultório fica na cidade de São Paulo.

Para mais informações, ligue para (11) 97859- 1080

Matéria produzida pela jornalista Leda Maria Sangiorgio – MTB 30.714
É expressamente proibida a cópia parcial ou total do material, sob pena da Lei de Direitos Autorais, número 10.695. 

 

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