
Glaucoma e depressão podem ter associação, diz estudo
O glaucoma e depressão tem uma associação, de acordo com um estudo importante, publicado no BMC Ophthalmology. De acordo com os dados, os pacientes com glaucoma apresentam risco significativamente maior de desenvolver depressão do que pessoas que não tem esse diagnóstico.
Ao longo dos anos, vários outros estudos apontaram que o glaucoma envolve muito mais do que a perda da visão, podendo assim levar ao desenvolvimento de transtornos mentais, como a depressão e ansiedade. Dessa forma, como existem dados que mostram essa relação – entre o glaucoma e a depressão – é importante que os oftalmologistas possam tratar os pacientes de uma forma mais holística.
Para falar um pouco mais sobre o glaucoma e depressão, hoje vamos entrevistar a oftalmologista geral, Dra. Maria Beatriz Guerios, especialista em glaucoma.
Glaucoma e depressão juntos podem prejudicar tratamento
Primeiramente, é importante esclarecer que o glaucoma é uma doença crônica, progressiva e que pode levar à perda da visão. “Dessa forma, é muito comum que o paciente desenvolva sintomas depressivos, seja ao receber o diagnóstico ou ao perceber mudanças no seu campo visual. Por isso, é crucial estarmos atentos às manifestações da depressão, uma vez que tratá-las pode melhorar a adesão ao tratamento e ao acompanhamento regular com o oftalmologista”, comenta Dra. Maria Beatriz.
“Em muitos casos, devido à depressão, muitos pacientes deixam de retornar para as consultas e de realizar os exames de acompanhamento. Para além disso, quando o tratamento envolve o uso de colírios, há um risco maior de o paciente abandoná-lo. Infelizmente, todas essas situações contribuem para a progressão do glaucoma”, relata a oftalmologista.
Quando a vida se torna mais “escura”
“A diminuição da acuidade visual e da função visual causam impactos profundos na vida de quem tem glaucoma. Em muitos casos, o paciente perde a autonomia, pode passar por problemas na vida profissional, pessoal, social, além de problemas de ordem financeira. Portanto, é comum que haja um aumento do estresse, que pode culminar no desenvolvimento da depressão”, relata Dra. Maria Beatriz.
A visão é um dos sentidos mais cruciais para o ser humano e está diretamente ligada à qualidade de vida. A visão nos conecta ao mundo ao nosso redor e é responsável por 80% de tudo o que os cinco sentidos captam juntos. Dessa maneira, os impactos da perda da visão são bastante amplos e complexos, sendo aspectos importantes no tratamento do glaucoma.
Cirurgia ou colírios? O que pode ser melhor para pacientes com depressão?
De acordo com Dra. Maria Beatriz, os pacientes com diagnóstico prévio de depressão, que desenvolvem o glaucoma, também precisam de uma atenção mais global. “Esses pacientes podem apresentar uma piora do quadro depressivo, além de termos um risco maior de abandono do tratamento e do acompanhamento do glaucoma”, alerta Dra. Maria Beatriz.
Levando em consideração a depressão, seja ela prévia ou posterior ao glaucoma, é muito importante refletir sobre as opções de tratamento.
“Recentemente, o LiGHT, um dos maiores estudos sobre a Trabeculoplastia Seletiva a Laser (SLT), apontou que essa cirurgia pode ser a primeira opção de tratamento para o glaucoma de ângulo aberto, nos estágios inicial e moderado. Com isso, podemos avaliar uma priorização da cirurgia em detrimento aos colírios, em pacientes com depressão. Isso pode garantir uma melhor controle do glaucoma, prevenindo assim a evolução da perda do campo visual”, reforça Dra. Maria Beatriz.
Estresse também pode prejudicar o tratamento do glaucoma
Segundo dados do ISMA-BR (Instituto Internacional de Gerenciamento do Estresse), cerca de 70% da população brasileira apresenta altos níveis de estresse. Sabe-se que o estresse crônico pode levar ao desenvolvimento de diversas doenças, bem como impactar no controle de certas patologias.
“Existem evidências, por exemplo, que os altos níveis de estresse podem aumentar a pressão intraocular (PIO), principal causa de danos no nervo óptico. Por isso, também precisamos avaliar como anda o nível de estresse do paciente com glaucoma, para propor algumas estratégias de controle e gerenciamento do estresse”, comenta a oftalmologista.
Um estudo recente, publicado no American Journal of Ophthalmology, apontou que a meditação por meio da técnica do mindfulness é capaz de reduzir a PIO em pacientes com glaucoma. Sendo assim, meditar pode ser uma ótima maneira de gerenciar o estresse e manter a PIO sob controle.
Conclusão – Glaucoma e Depressão
Em conclusão, o glaucoma e depressão são doenças que podem estar associadas. “Os sintomas depressivos podem interferir no tratamento do glaucoma, fazendo o paciente abandonar as terapias, bem como deixar de ir as consultas e fazer os exames de acompanhamento. Portanto, é muito importante considerar a saúde mental como parte do tratamento do glaucoma”, finaliza Dra. Maria Beatriz.
Dra. Maria Beatriz Guerios é Oftalmologista Geral e especialista em Glaucoma, bem como faz parte de uma equipe altamente capacitada, com as mais diversas especialidades da oftalmologia.
O consultório fica na cidade de São Paulo, na Vila Nova Conceição (zona Sul).
Para mais informações, ligue para (11) 3846-0200
Matéria produzida pela jornalista Leda Maria Sangiorgio – MTB 30.714
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